Obesidade infantil e suas causas

Nas últimas décadas, a obesidade infantil aumentou de maneira explosiva no Brasil e em diversos países do mundo, tornando-se atualmente um dos maiores problemas de saúde nesta faixa etária. Em nosso país, por exemplo, o excesso de peso já há algum tempo superou em número os casos de baixo peso e desnutrição protéico-calórica na infância. Como medida para conter esta epidemia, o congresso nacional quer propor votação para proibir a venda de refrigerantes nas cantinas das escolas. Por conta própria, alguns fabricantes deixaram de fornecer estas bebidas às escolas. Talvez estas medidas surtam algum efeito, mas será que isoladamente elas mudarão este cenário? O papel da família na obesidade infantil De nada adiantará tais medidas se no lar destas crianças o consumo não só de refrigerantes como de outras guloseimas é livre. Pior do que isto, o problema da obesidade infantil é mais profundo do que uma simples escolha do que colocar na geladeira ou dispensa de casa, ele começa muito antes, na vida intra-uterina. Sabe-se que mulheres que engravidam acima do peso ou que ganham peso de maneira exagerada na gestação estão mais predispostas a dar à luz bebês com excesso de peso e isto aumenta o risco destes recém-nascidos tornarem-se portadores de sobrepeso e obesidade no futuro. Um estudo norte-americano (Gillman et al., 2003) mostrou que 1 kg a mais de excesso de peso ao nascer aumentou o risco de sobrepeso na adolescência em 40%. O baixo peso ao nascer também se correlacionou com aumento de chances de excesso de peso no futuro, por conta de adaptações metabólicas envolvidas desde a vida intra-uterina, em que muito precocemente o organismo do indivíduo é preparado para “economizar” energia. Outro fator envolvido diz respeito ao desmame precoce do aleitamento materno e substituição por fórmulas impróprias para idade. O aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida é considerado um fator protetor na prevenção de obesidade infantil. No Brasil, o período médio de aleitamento materno exclusivo é de 1,8 meses, muito abaixo do preconizado. Ainda dentro do primeiro ano de vida, percebemos que as famílias, de uma maneira geral, oferecem cada vez mais cedo às crianças guloseimas como biscoitos, refrigerantes, salgadinhos, doces, etc. Um estudo nacional (Caetano et al., 2010), mostrou dados espantosos. Cerca de 38,5% das crianças abaixo dos 6 meses de vida já consomem biscoitos e 12,3% macarrão instantâneo. Entre 6 meses e 1 ano de vida, 26,1% consomem doces regularmente, 9% refrigerantes e 20,7% sucos artificiais. E isto terá muito a ver com as preferências alimentares que as crianças irão desenvolver ao longo da vida. Os pais e outros familiares que cuidam destas crianças alegam falta de tempo para fazer uma feira semanal de frutas, verduras e legumes. Muitos, na verdade, não admitem que não gostam de consumir estes alimentos e acabam por transmitir estes maus hábitos alimentares aos seus filhos. Estes, por sua vez, acabam por acostumar o paladar somente a guloseimas e muito cedo passam a rejeitar alimentos mais saudáveis, tornando muito difícil a missão de mudar certos hábitos alimentares negativos na medida em que o tempo passa. Coincide em grande parte com estes maus hábitos dietéticos na família, a presença de pais obesos. Desta forma, soma-se o fator genético ao condicionamento alimentar ruim destas crianças. Estima-se que a chance de uma criança se tornar obesa é de cerca de 80% quando ambos os pais são obesos, 50% quando apenas um deles é obeso e de 9% quando nenhum deles está acima do peso. Dicas de como combater a obesidade infantil – Antes de engravidar, toda a candidata a gestante que está acima do peso deveria buscar auxílio profissional para eliminar este excesso de peso. Não podemos esquecer que gestantes obesas apresentam maior risco de desenvolver diabetes gestacional, doença hipertensiva específica da gestação, eclâmpsia, abortamentos, etc. – Durante a gravidez, cuidado para não ganhar muito peso. Mulheres que apresentavam peso normal (IMC entre 18 e 25 kg/m²) antes de engravidar, devem ganhar entre 11 kg e 15 kg ao longo da gestação. E este valor é ainda menor para aquelas que já estavam acima do peso antes da concepção. – Respeitar o período de aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. Caso isto não seja possível, procurar ajuda de um pediatra para realizar a substituição por fórmulas alimentares apropriadas. – Evitar a todo o custo oferecer guloseimas antes dos primeiros 18 meses de vida, pois é nesta fase em que a criança começará a desenvolver suas preferências alimentares. Reforce nesta fase o consumo de frutas, verduras, legumes, carnes magras, bons carboidratos e sucos naturais. Desta maneira, a chance de manter estes hábitos alimentares saudáveis ao longo da vida é maior. – Insista no consumo destes alimentos, mesmo que haja uma certa resistência inicial. Sabemos que há um componente genético em algumas crianças que rejeitam alimentos de sabor amargo e azedo, mesmo assim a introdução destes alimentos é possível. Ofereça sempre estes alimentos, coloque no prato das crianças (mesmo que disfarçado no meio de outros alimentos de preferência, no início), nunca deixe faltar comida saudável em casa. Estudos mostram que podem ser necessárias de 8 a 15 exposições a um mesmo alimento até que o mesmo seja aceito. – Dê o exemplo: adiantará muito pouco insistir que seu filho coma alimentos saudáveis se você mesmo se alimenta mal. Crianças aprendem muito mais com o exemplo do que com discursos e broncas. – Ensine seu filho, neto, sobrinho, etc, a matar a sede com água e não com sucos e refrigerantes. – Mantenha uma rotina de atividades físicas desde cedo para as crianças. Assim que começarem a andar, leve para lugares onde há bastante espaço para brincar e evite deixar confinados em berços e “chiqueirinhos” por longos períodos. Incentive eles a fazer brincadeiras que exijam movimento (isto, inclusive, é muito bom para o sono das crianças, que passarão a dormir mais cedo devido o cansaço). Na medida em que a criança cresce, estimule o mesmo a ter um esporte como hobby. E, importante, limite o