TIREOIDITE DE HASHIMOTO – 7 PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O que é a tireoidite de Hashimoto? R: Tireoidite de Hashimoto é um tipo de doença chamada autoimune, ou seja, causada pelo próprio sistema imunológico que deixa de reconhecer a tireoide como um corpo próprio do organismo e passa a atacá-la.  Com o tempo a glândula é destruída e perde sua capacidade de produzir hormônios, e assim a pessoa desenvolve o hipotireoidismo. 2. Tireoidite de Hashimoto pode causar sintomas como fadiga, sonolência, pele seca e ganho de peso? R: Sim, pois os sintomas acima são típicos do hipotireoidismo, e como 80% a 90% dos casos de hipotireoidismo são desencadeados pela tireoidite de Hashimoto, então essa afirmação é verdadeira. Porém, em seu início a tireoidite de Hashimoto costuma ser silenciosa e assim pode permanecer por muitos anos. 3. Tireoidite de Hashimoto causa câncer? R: Não há uma relação comprovada entre tireoidite de Hashimoto e aumento na incidência de câncer de tireoide, exceto de um tipo bastante raro de tumor, o linfoma de tireoide. A maioria dos pacientes que desenvolvem câncer de tireoide não possuem a tireoidite de Hashimoto. 4. Cortar o glúten e lactose pode reverter a Tireoidite de Hashimoto? R: O glúten está associado a outra doença autoimune, a Doença Celíaca, que promove uma destruição da mucosa do intestino. Apesar de serem doenças próximas, não há evidências científicas categóricas que comprovem o efeito do glúten sobre a tireoide. Os estudos são pequenos e na maior parte deles os resultados não foram provados. Com relação a lactose, existem ainda menos estudos nessa área. Portanto, além de ser muito complicado cortar por completo esses elementos da dieta, a eficácia dessa conduta parece não ser eficaz. 5. Tomar iodo pode ajudar a curar a tireoidite de Hashimoto? R: Esse é mais um mito, só que ainda pior. Sobrecarregar a tireoide com iodo pode acelerar a evolução da tireoidite de Hashimoto! Isso porque o iodo em excesso além de ser tóxico para as células da tireoide, pode induzir a formação de mais proteínas estranhas para o sistema imune da pessoa com tireoidite de Hashimoto. Ou seja, é como querer apagar o incêndio com gasolina! 6. Gestantes devem ter cuidado redobrado com a tireoidite de Hashimoto? R: Sim, pois na gestação mesmo uma deficiência mínima de hormônios da tireoide já pode causar repercussões negativas no desenvolvimento do feto, principalmente para o sistema nervoso. Grávidas que tem tireoidite de Hashimoto e um TSH > 2,5 já devem considerar reposição de levotiroxina (o normal é considerarmos uso a partir de TSH > 4,5). 7. Vitamina D e selênio podem retardar a progressão da tireoidite de Hashimoto? R: Ao contrário do glúten e lactose, as evidências a favor da vitamina D e selênio são mais robustas, baseadas em grandes ensaios clínicos. Suplementar esses elementos reduziu os níveis de anticorpos contra a tireoide e a evolução da doença. O ideal no caso de doenças autoimunes, inclusive a tireoidite de Hashimoto, é manter níveis de 25 hidroxi-vitamina D entre 30 e 60 ng/dl.  Com relação ao selênio, recomenda-se uma ingesta de 200 a 300 mcg ao dia, equivalente a 2 castanhas-do-Pará, um alimento rico nesta substância.

O que é ginecomastia e como ela pode afetar a vida dos homens?

A estética é um ponto muito importante para as pessoas, mesmo aquelas que dizem não se importar tanto. No caso dos homens, algumas coisas também costumam incomodar, como a ginecomastia. Estética e problemas de saúde podem estar diretamente relacionados, basta procurar uma equipe médica e verificar se o que está causando incômodo seja causado por alguma alteração hormonal ou problemas graves de saúde. Se você ainda não sabe o que é ginecomastia e como ela pode afetar a autoestima masculina, continue a leitura e vamos descobrir juntos! Ginecomastia: o que é? A ginecomastia masculina é o desenvolvimento excessivo das glândulas mamárias em homens, resultando em um aumento da mama masculina. É um problema relativamente comum, afetando cerca de 40% a 60% dos homens em algum momento de suas vidas. Ela pode ocorrer em qualquer idade, desde a puberdade até a vida adulta, e pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo alterações hormonais, uso de certos medicamentos, consumo de drogas ilícitas, obesidade, condições médicas subjacentes ou fatores genéticos. Muito embora a ginecomastia, geralmente, não represente um problema de saúde grave, pode ser uma fonte de constrangimento e desconforto para os homens afetados. Em alguns casos, pode ser tratada com medicamentos ou cirurgia para reduzir o tamanho da mama masculina. Quais são as principais causas de ginecomastia? A ginecomastia masculina pode ocorrer por diversos motivos, como pudemos entender anteriormente. Mas, quais são esses fatores? Vale lembrar que cada paciente é diferente do outro, portanto, as causas da ginecomastia também serão. Conheça alguns dos fatores para a ocorrência dessa condição! Desequilíbrio hormonal A ginecomastia pode ser causada por um desequilíbrio entre os hormônios andrógenos (como a testosterona) e os estrogênios (hormônios sexuais femininos).  Isso pode ocorrer durante a puberdade, quando ocorrem flutuações hormonais naturais, ou em homens mais velhos, quando a produção de testosterona diminui. Uso de medicamentos Alguns medicamentos podem causar ginecomastia como efeito colateral, incluindo anti androgênicos, como a espironolactona; antagonistas do receptor de estrogênio, como o tamoxifeno; alguns inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs); alguns antidepressivos; e alguns medicamentos para câncer de próstata. Consumo de drogas O uso de drogas, como maconha, heroína, metanfetaminas, entre outras, pode levar à ginecomastia. Condições médicas Algumas condições médicas podem causar ginecomastia, incluindo hipotireoidismo, insuficiência renal, doenças hepáticas, tumores testiculares e síndrome de Klinefelter. Obesidade A obesidade pode levar ao acúmulo de gordura na região do tórax, o que pode fazer com que as mamas masculinas pareçam maiores. Fatores genéticos Em alguns casos, a ginecomastia pode ter uma causa genética, ou seja, ser herdada de familiares. É importante ressaltar que, em muitos casos, a causa exata da ginecomastia não é conhecida. Por isso, é recomendado que homens com ginecomastia busquem orientação médica para avaliação e tratamento adequados. Quando devo me preocupar com a ginecomastia? A ginecomastia pode ser uma condição benigna e transitória em muitos casos, especialmente em adolescentes, que podem experimentar um aumento temporário das mamas devido a flutuações hormonais naturais.  No entanto, existem algumas situações em que a ginecomastia pode ser um sinal de alerta para problemas de saúde mais graves e que requerem atenção médica imediata. Saiba quais são essas situações. Se você estiver preocupado com a ginecomastia ou notar algum dos sintomas acima, é importante procurar um médico para avaliação e tratamento adequados. Como tratar a ginecomastia masculina? O tratamento da ginecomastia depende da causa subjacente da condição e do grau de desconforto ou constrangimento que ela causa ao indivíduo. Portanto, para conseguir tratar, o paciente precisa entender qual foi o seu fator de risco e tratá-lo. Entenda melhor a seguir! É importante consultar um médico para avaliar a causa subjacente da ginecomastia e determinar o melhor tratamento para o seu caso específico. A ginecomastia tem solução! A ginecomastia masculina tem solução, portanto não espere mais tempo para resolver um problema que te incomoda. Entre em contato com a nossa equipe de profissionais para agendar uma consulta e cuide da sua saúde – e estética!

O que fazer quando a punção do nódulo de tireoide resultar indeterminada

Realizar exames para identificar um nódulo tireoide é estressante. Quando o resultado não apresenta respostas conclusivas, é pior ainda. A punção na tireoide é um procedimento médico que envolve a retirada de uma pequena amostra de tecido da tireoide para análise em laboratório. Por vezes, o exame encontra dificuldades durante a análise e apresenta resultado indeterminado, para a preocupação de médicos e pacientes. Quando isto acontece, o ideal é manter a calma e buscar alternativas – que sejam sugeridas pela equipe de profissionais da saúde.Fique até o final para entender mais sobre esta situação e aprender a lidar com os diversos contextos que envolvem nódulo tireoide. Confira! O que fazer quando a punção do nódulo tireoide vier indeterminada? Se a punção de um nódulo tireoide resultar em um resultado indeterminado, pode ser necessário realizar mais testes ou procedimentos para determinar se o nódulo é canceroso ou não.  Repetir a punção Pode parecer óbvio, mas em alguns casos, o médico pode recomendar uma segunda punção do nódulo. Isso pode ajudar a obter uma amostra melhor do tecido do nódulo para análise. Teste molecular Testes moleculares podem ajudar a avaliar o risco de malignidade do nódulo. Esses testes podem analisar o material genético das células do nódulo e ajudar a identificar padrões que indicam a presença de câncer. Biópsia cirúrgica Em alguns casos, pode ser necessário remover cirurgicamente o nódulo para análise patológica. Isso pode envolver a remoção apenas do nódulo ou, em alguns casos, da glândula tireóide inteira. É importante discutir suas opções com seu médico para determinar o melhor curso de ação para cada caso em específico. O que é um nódulo tireoidiano indeterminado? Um nódulo tireoide indeterminado é um nódulo da tireoide que não pode ser classificado definitivamente como benigno ou maligno após uma biópsia por agulha fina (PAAF). A biópsia por agulha fina é um procedimento em que uma pequena amostra de células é retirada do nódulo para análise em laboratório. Os resultados da biópsia podem ser classificados como benignos, malignos ou indeterminados. Quando o resultado é indeterminado, isso significa que as células retiradas do nódulo não forneceram informações claras o suficiente para determinar com segurança se o nódulo é canceroso ou não. Esses nódulos são relativamente comuns e, embora preocupantes, a maioria deles não é maligna. No entanto, é importante monitorar cuidadosamente o nódulo e trabalhar com um médico para determinar o próximo curso de ação, que pode incluir repetir a biópsia, realizar testes moleculares ou considerar a remoção cirúrgica do nódulo. Nódulo tireoide: o que podem ser Existem vários tipos de nódulos na tireoide que podem se formar e causar um aumento no tamanho da glândula tireóide. Aqui estão alguns dos tipos mais comuns de nódulos da tireoide: É importante notar que a maioria dos nódulos da tireóide são benignos e não causam problemas significativos. Entretanto, ao notar um inchaço ou nódulo na região do pescoço, é importante consultar um médico para avaliação e tratamento adequados. Qual a função da tireóide no corpo? A tireoide é uma glândula em forma de borboleta localizada na parte frontal do pescoço. Ela produz e secreta hormônios tireoidianos (principalmente o T4 e o T3), que desempenham um papel fundamental no metabolismo do corpo.  Selecionamos as principais funções desta glândula super importante do nosso organismo e pouco comentada, veja! Quando a tireoide não funciona adequadamente, pode causar uma série de problemas de saúde, incluindo hipotireoidismo (quando a tireoide não produz hormônios suficientes) e hipertireoidismo (quando a tireoide produz hormônios em excesso). Realize exames periodicamente O nódulo tireoide pode ser silencioso, ou seja, não apresentar nenhum tipo de sintoma. Por este motivo, é fundamental realizar exames com um médico endocrinologista periodicamente. Além da tireoide, o profissional desta especialidade também examina e analisa outras glândulas hormonais do carpo e trata suas deficiências. Se você está tentando lembrar a última vez que realizou exames hormonais e não se lembra, então temos um recado! Entre agora mesmo em contato com nossa equipe de atendimento e agende um exame para conferir sua saúde! Faça da informação o seu maior remédio! E não deixe de acompanhar todas as novidades de saúde aqui no blog.

Wegovy: o primeiro medicamento para combate à obesidade aprovado pela ANVISA

No início deste ano a ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aprovou o Wegovy como um medicamento para o combate à obesidade, um dos primeiros da categoria a serem liberados pela agência no país. Segundo os índices da Pesquisa Nacional de Saúde, no Brasil, há 60,3% de adultos obesos, com o maior percentual em relação ao público feminino com 62,6% de mulheres e 57,5% de homens. Para a realidade brasileira, este medicamento pode ser considerado um grande avanço no tratamento da obesidade para homens e mulheres. Lembrando que os números alarmantes já estão resultando em episódios tristes e preocupantes, como a falta de atendimento às pessoas obesas por ausência de equipamentos específicos. Entretanto, apesar da novidade, o composto biológico não é algo inédito no país. Para entender melhor sobre a aprovação do medicamento wegovy e como ele poderá ser utilizado, continue a leitura e tire suas dúvidas. Confira! O que é o Wegovy O Wegovy é uma caneta de semaglutida com 2,4 mg do composto biológico. No organismo, ela libera um imitador do hormônio GLP1, responsável pela sensação de saciedade. Por este motivo, é recomendada para a redução do peso corporal, sendo amplamente utilizada nos Estados Unidos e no Canadá. Segundo os estudos iniciais realizados, a revista científica The New England Journal of Medicine publicou, em 2020, alguns resultados comprovando a eficácia do medicamento. Quando aliado a exercícios físicos e uma alimentação saudável, com o wegovy brasil, pacientes conseguiram reduzir cerca de 15% de seu peso corporal.Vale lembrar que semaglutida também age diretamente no metabolismo da glicose, auxiliando no controle de outras comorbidades relacionadas ao peso como a melhora de índices cardiometabólicos, tais como: Ozempic e Wegovy: semelhanças e diferenças Para alguns pacientes diabéticos, este princípio biológico já é conhecido, uma vez que o Ozempic é um medicamento com as características semelhantes ao wegovy brasil mas com uma dosagem menor, de 1,0mg. Além disso, o Ozempic é recomendado para o tratamento de diabetes tipo 2, com aplicações diárias através de uma injeção e não para a obesidade em si, como o Wegovy promete. A diferença maior entre os dois está na dosagem, sendo o wegovy brasil de 2,4mg, o que já demonstra uma utilização bem diferente do que o Ozempic é utilizado. Para quem este medicamento é recomendado Junto com o texto da aprovação, a ANVISA ressaltou que o Wegovy (semaglutida 2,4mg) deverá ser recomendado para pacientes que apresentem massa corporal ou IMC acima de 30, caracterizando obesidade, ou acima de 27, caracterizando sobrepeso. Entretanto, será recomendado, preferencialmente, à pacientes que sofrem com as comorbidades em decorrência da obesidade, como por exemplo: Custos do Wegovy e quando chega ao Brasil Apesar da aprovação do medicamento e as perguntas sobre wegovy, estipula-se que sua venda se iniciará apenas no segundo semestre do ano após passar pela CMED, Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, que definirá preços. A título de curiosidade, nas farmácias norte-americanas, o medicamento está sendo comercializado por cerca de US$ 1.426, entretanto, ainda não podemos definir nenhum valor em território nacional antes do lançamento. O que se sabe é que as aplicações do wegovy serão recomendadas para uma dose por semana e, provavelmente, sob prescrição médica. Inovação e saúde O Brasil abre caminho para novos tipos de tratamento para melhorar a vida das pessoas que apresentam sobrepeso ou obesidade, tal passo antes nunca visto no país. Ainda há muitas perguntas não respondidas como sua presença na lista de medicamentos distribuídos pelo SUS. Porém, podemos ficar alegres com esta conquista dos brasileiros que estão sofrendo com as dificuldades de viver com os pesos a mais e com as comorbidades adquiridas a partir disso. A comunidade médica repercutiu a notícia com bastante entusiasmo, uma vez que um medicamento para emagrecimento nunca teve uma adesão dos órgãos competentes como agora. O que está por vir, podemos ainda não ter certeza, mas que as pessoas obesas poderão ter uma vida melhor, isso é o futuro! Para estes e mais conteúdos de saúde, continue acompanhando o blog e as nossas redes sociais! Caso queira agendar uma consulta, entre em contato através de nossos canais de comunicação.

JEJUM INTERMITENTE NÃO É TUDO IGUAL

O jejum intermitente como método para perda de peso há muito deixou de ser um modismo para se tornar uma modalidade séria de tratamento, reconhecida e eficaz. Obviamente o jejum intermitente não deve ser indicado de forma generalizada e sem acompanhamento médico e nutricional. Além disso, existem inúmeras formas de restrição calórica (ex: jejum de 24h 1 vez por semana, diminuição de calorias em dias alternados, esquema 5:2, etc), mas ainda poucos estudos comparando os diversos tipos de jejum intermitente. Esse assunto foi abordado recentemente no Congresso Europeu de Obesidade e vários pontos a respeito desse interessante assunto foram abordados. Trago aqui alguns resultados importantes: – Janela de refeição matinal (comer das 08h às 15h) foi melhor para perda de peso, diminuição da resistência à insulina, melhora da imunidade e microbiota intestinal em comparação a janela de refeição de meio de dia (comer das 11h às 19h). – “Pular” o café da manhã não teve vantagem ao compararmos com 3 refeições ao dia, pelo contrário, um dos estudos mostrou perda de massa muscular. – Uma janela de refeição de 6 a 8 horas é mais eficaz do que a de 12 horas. Talvez, para algumas pessoas que tem essa possibilidade, é válido fazer um café da tarde reforçado, mais parecido com um jantar e fazer jejum até o café da manhã do dia seguinte. – Em termos de desempenho, o jejum intermitente leva a uma perda de peso semelhante a restrição calórica convencional (consumir de 5 a 6 refeições ao dia, mas diminuindo cerca de 500 kcal ao longo das 24h ou 20% do total). A decisão de qual tipo de dieta seguir ser individual, para aquela que a pessoa melhor se adapte. – Jejum intermitente melhorou o controle glicêmico de diabéticos, pressão arterial, reduziu estresse oxidativo, mas não mostrou benefícios em reduzir colesterol, inclusive pode elevar triglicerídeos. Para finalizar, devemos ser cautelosos na interpretação desses dados pois eles ainda não são definitivos e estão em constante atualização.

QUANTO PESO POSSO GANHAR DORMINDO MAL?

Cada vez mais falamos da importância da qualidade do sono como um fator que pode tanto ajudar quanto atrapalhar na perda de peso.  Muitos estudos já mostraram que aqueles que dormem pouco ou trocam o dia pela noite apresentam uma série de alterações nos ritmos hormonais, com aumento de cortisol, noradrenalina, diminuição de serotonina etc., que irão resultar em perda de massa muscular, aumento de apetite e, por consequência, irão engordar. Além disso, o próprio ganho de peso piora a qualidade do sono, principalmente por conta do aumento de refluxo gastroesofágico e dos episódios de roncos e apneia obstrutiva, causando um círculo vicioso. Mas você saberia dizer o tamanho do impacto disso na prática, em kg? Foi o que um estudo apresentado no Congresso Europeu de Obesidade na semana passada (e que, como vocês sabem, tive a oportunidade de acompanhar) procurou demonstrar. Esse estudo acompanhou 192 adultos que haviam perdido peso durante 8 semanas através de uma dieta de muito baixa caloria e que agora estavam em uma fase de manutenção do peso. A maioria absoluta relatou melhora da qualidade do sono com o emagrecimento. Entretanto, durante a manutenção de peso, foi notado que aqueles que dormiam < 6 horas de sono por noite aumentaram o índice de massa corpórea (IMC) em 1,2 kg/m² em comparação aqueles que dormiam de 6 a 7 horas, ao longo de 1 ano de acompanhamento. Na prática: se eu tenho 2 pessoas com o mesmo peso e altura inicial, ou seja, o mesmo IMC, por exemplo 170 cm e 70 kg (IMC de 24,2 para cada um), o que dorme pior poderia ganhar 3,4 kg em comparação ao que dorme melhor. Para quem está tentando perder peso ou mesmo manter o que eliminou, isso é muita coisa e pode explicar muitos casos de falha no tratamento. Portanto, procure valorizar suas noites de sono e durma melhor! E se está tendo dificuldades em dormir com qualidade, procure seu médico!

MENOPAUSA AUMENTA O RISCO DE HIPOTIREOIDISMO?

Não há dúvidas de que as mulheres são o grupo mais afetado pelo hipotireoidismo, que é a falta dos hormônios da tireóide.  Dentre as explicações para isso estaria a influência dos hormônios femininos sobre o sistema imunológico, mais especificamente sobre o desenvolvimento de doenças autoimunes, como a Tireoidite de Hashimoto, que é a principal causadora do hipotireoidismo, como já dissemos em outros posts. Explorando mais esse tema, notamos que há um pico de novos casos de hipotireoidismo entre os 40 e 50 anos de idade, exatamente a faixa etária onde a grande maioria das mulheres irão apresentar o declínio dos hormônios femininos que irá culminar com a menopausa. Será então que existe uma relação entre menopausa e aumento no risco de hipotireoidismo? Ao que tudo indica sim!  Foi o que mostrou um estudo transversal sul coreano que envolveu mais de 50 mil mulheres entre 2014 e 2018 publicado na revista Thyroid deste mês. Nesse estudo foi observado que há um aumento dos níveis de TSH compatíveis com hipotireoidismo na fase chamada de transição tardia da menopausa (onde já se manifestam alterações laboratoriais compatíveis com essa fase acompanhadas por sintomas clínicos, como irregularidade menstrual e as primeiras ondas de calor) e na pós menopausa, quando a mulher já parou de menstruar. Por ser um estudo feito somente com mulheres sul coreanas e que não foi desenhado para se investigar as causas relacionadas as variações hormonais desta época da vida feminina, mais estudos são necessários para se confirmar essa hipótese. De qualquer forma esse estudo acende um alerta para que estejamos atentos ao surgimento do hipotireoidismo nessa fase, pois os sintomas da menopausa e do hipotireoidismo podem ser muito parecidos, como o cansaço excessivo, alterações de humor, sono, temperatura etc., e acabar se somando. Deixar de fazer o diagnóstico de hipotireoidismo em mulheres nessa fase pode piorar ainda mais os sintomas e a qualidade de vida na fase de transição da menopausa. Fique atenta!

RYBELSUS – UM NOVO TRATAMENTO PARA DIABETES TIPO II E PROMESSA PARA OBESIDADE

No final de março chegou ao Brasil mais um medicamento para o combate ao diabetes tipo II, o Rybelsus, com uma proposta ambiciosa: tornar-se a medicação oral mais potente do mercado para controle da glicemia. Isso significa que pessoas com diabetes de difícil controle que necessitariam de injetáveis, como a insulina, passam a ter uma maior chance de melhorar suas taxas apenas com comprimidos, o que é muito mais conveniente e indolor! A queda de hemoglobina glicada demonstrada em estudos foi em média de 1,5 ponto percentual, podendo chegar a até 2,5 naqueles cuja hemoglobina glicada inicial estava acima de 9%. Um excelente resultado! Rybelsus é o nome comercial da semaglutida, um análogo do GLP-1, que é um hormônio produzido no intestino que melhora muito a secreção de insulina do pâncreas, além de outros efeitos adicionais, como perda de peso. Talvez para muitos o nome semaglutida soe familiar, e é mesmo, pois é o mesmo princípio-ativo de um injetável bastante conhecido, o Ozempic, que além ser prescrito para diabéticos é muito utilizado para tratar obesidade. Então Rybelsus seria o Ozempic oral? A resposta é sim e não. Apesar do mesmo princípio-ativo, por serem administrados por vias diferentes apresentam efeitos farmacológicos distintos e, por isso, não chegam a ser iguais. Por exemplo, sabemos que no tratamento do diabetes eles tem uma eficácia semelhante, mas o oral parece não ter a mesma potência para perda de peso na comparação em suas doses máximas, embora ainda não exista um estudo comparando-as diretamente. Já o estudo PIONEER 4 mostrou que a perda de peso é comparável a da liraglutida (Saxenda ou Victoza) na dose de 1,8 mg (média de 5 kg), o que ainda assim é bem interessante. De qualquer forma, Rybelsus ainda não foi aprovado para obesidade, além de ser um medicamento caro. Em termos de custo-benefício, vejo ele como uma ótima opção para diabéticos que estejam acima do peso, potente, promove alta proteção cardiovascular e renal e dispensa injeções.

COMER CARNE AUMENTA O RISCO DE CÂNCER?

Essa é uma discussão antiga e da qual já temos algumas boas conclusões a respeito. Por exemplo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera carnes processadas como bacon, salsicha, linguiça, presunto e alimentos defumados em geral como grau 1 para risco de câncer, ou seja, já há dados suficientes para se fazer essa afirmação. Para se ter uma ideia, risco grau 1 é o mesmo que o cigarro recebe, cujo potencial para diversos tipos de cânceres é indiscutível. Com relação ao consumo de carne vermelha, a OMS coloca como risco “provável”, ou seja, ainda são necessários mais dados para que essa hipótese seja confirmada, porém recomenda-se no mínimo moderação. Para colocar ainda mais lenha na fogueira desse debate, um grande estudo publicado no mês passado na revista BMC medicine mostrou que reduzir o consumo de carne como um todo poderia diminuir o risco de cânceres em geral. Naqueles que consumiam carne cinco vezes ou menos por semana, o risco de desenvolver câncer foi discretamente menor do que naqueles mais carnívoros, que comiam mais de cinco vezes por semana, cerca de 2%. Porém, a proteção contra câncer aumentava quando se substituíam carnes vermelhas e de aves por peixes, com queda de 10% no risco e ainda maior entre os vegetarianos e veganos, 14% menor. Por ser um estudo observacional, novos dados ainda são necessários para se “bater o martelo”. Não estou fazendo aqui nenhuma apologia contra a carne (até porque sou carnívoro e gosto de um bom churrasco!), mas esses dados deveriam nos fazer parar para pensar na nossa alimentação como um todo. Sabemos que as carnes vermelhas e as ultraprocessadas são mais ricas em nitrosaminas e ferro heme, que são substâncias potencialmente cancerígenas se consumidas de forma frequente.  Para finalizar, o que eu costumo recomendar aos meus pacientes é que aumentem o consumo de peixes, fibras e vegetais, reduzam o consumo de carne vermelha para no máximo 3 vezes na semana e eliminem completamente as carnes processadas e embutidos da dieta.

DIABETES TEM CURA?

Diabetes é uma doença que tem um potencial de causar graves complicações à nossa saúde. Por conta disso, o ideal seria uma forma de tratamento que curasse o diabetes, ou seja, eliminasse a doença para sempre. Mas será que existe uma cura para o diabetes ou estamos muito distantes disso? A resposta de forma direta é não. Ainda estamos longe de uma cura para o diabetes por se tratar de uma doença bastante complexa, o que não quer dizer que não houve avanços importantes na área. Vamos distinguir algumas novidades no tratamento para os dois principais tipos de diabetes: o tipo 1 e o tipo 2. No diabetes tipo 1, cuja causa é uma doença autoimune que “destrói” as células pancreáticas produtoras de insulina, a única forma da pessoa deixar de usar esse hormônio seria através do transplante de pâncreas, mesmo assim ainda dependeria do uso de imunossupressores para sempre.  Há muita pesquisa com transplante de células beta (produtoras de insulina), mas esse é um campo de pesquisa ainda em seus estágios iniciais, além de novas bombas de insulina que simulariam um pâncreas artificial que estão a caminho. Já no diabetes tipo 2, cuja doença está mais relacionada a resistência ao efeito da insulina causada pelo excesso de peso e maus hábitos alimentares, podemos falar em remissão em muitos casos. Remissão quer dizer manter o diabetes controlado sem medicamentos, mas diferente de cura, a doença pode voltar se alguns cuidados não forem tomados. Foi o que demonstrou um grande estudo britânico chamado DiRECT, publicado em 2019. Portadores de diabetes há menos de 5 anos e que conseguiram perder no mínimo 10 kg com uma dieta restritiva de 800 kcal, seguida de uma dieta saudável para manutenção do peso, conseguiram uma taxa de remissão de 64% da doença. A conclusão que chegamos é de uma forte relação entre diabetes tipo 2 e excesso de peso e como é importante emagrecer e não engordar novamente. Óbvio que ninguém deve tentar perder esse peso sozinho e abandonar os remédios sem acompanhamento profissional.