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O que é hemoglobina glicada?

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Você sabe o que é o exame de hemoglobina glicada? Se você é diabético ou convive com um portador de diabetes, provavelmente já deve ter ouvido muito o médico falar sobre este exame. Ele é simplesmente fundamental para o controle do diabetes, saber se a doença está compensada ou não, embora não seja o único parâmetro.

Geralmente os pacientes prestam mais atenção somente no valor da glicemia de jejum, mas sem o exame de hemoglobina glicada (também chamada de hemoglobina glicosilada ou HbA1c), fica muito difícil para o médico saber se o controle do diabetes está dentro da meta ou não.

Por que o exame de hemoglobina glicada é tão importante para os diabéticos?

Para entender a importância da hemoglobina glicada, é necessário ter uma noção básica do que mede este exame.

Dentro dos glóbulos vermelhos ou hemácias, existe uma proteína chamada de hemoglobina, que é responsável por carregar o oxigênio dos pulmões para os órgãos e tecidos através da circulação. Mas não é apenas o oxigênio que pode “viajar” pela corrente sanguínea de “carona” na hemoglobina. A glicose também pode se ligar a hemoglobina, porém de maneira irreversível, ao contrário do oxigênio, que se liga temporariamente à hemoglobina e logo é liberado nos tecidos.

Como o glóbulo vermelho circula por um período de cerca de 3 meses antes de ser removido da circulação e degradado, caso uma molécula de glicose se ligue à hemoglobina que está em seu interior, a mesma permanecerá “grudada” até o fim da vida do mesmo. Em termos médicos, isto significa que a hemoglobina agora está glicada. O exame mede o percentual de glicose que está ligada à hemoglobina, como veremos adiante os valores de referência.

O que importa saber é que, na prática, a hemoglobina glicada mede como anda o controle do diabetes nos últimos 3 meses, que é aproximadamente o período de vida útil médio dos glóbulos vermelhos. Enquanto a glicemia de jejum pode ser entendida como uma “fotografia” de como estava a glicemia na manhã do dia da coleta de exame de sangue, a hemoglobina glicada seria uma espécie de “filmagem” de longa duração do diabetes, o que a torna uma medida mais fidedigna de como estava o controle glicêmico em um período maior.

Por exemplo, há pacientes que apresentam glicemia em jejum controlada (entre 80 e 120 mg/dl), mas a hemoglobina glicada está alta. O que isto quer dizer? Pode ser que o período do dia em que o diabetes esteja mal controlado seja após as refeições ou no final do dia e a glicemia de jejum, por ser a medida de um único horário, traz a falsa impressão de um bom controle.

Outra possibilidade são pacientes que fazem irregularmente o tratamento do diabetes e, ao se aproximar do dia da consulta, passam a cuidar mais do diabetes para mostrar um exame de glicemia de jejum melhor para o seu médico e não levar aquela bronca! Porém, como a hemoglobina glicada traz a média do controle glicêmico dos últimos 2 a 3 meses principalmente, ela vai “entregar” que o paciente só melhorou nos últimos dias. Por conta disto, não faz sentido solicitar hemoglobina glicada em intervalos muito curtos como de semanas, pois não é esperado que haja variações significativas em seus valores em tão pouco tempo.

Como interpretar os valores de hemoglobina glicada?

A meta de controle de hemoglobina glicada para um paciente diabético, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) situa-se abaixo de 7%. Algumas associações médicas adotam o valor abaixo de 6,5%. Em idosos e crianças, há uma margem de tolerância maior, com valores sugeridos abaixo de 7,5% ou 8%, pois estas populações podem não tolerar muito bem os efeitos da hipoglicemia, que é a queda na taxa dos níveis de glicose abaixo de 70 mg/dl e uma consequência comum na tentativa de se obter controles glicêmicos mais rigorosos. Valores acima de 9% são considerados muito elevados e podem indicar necessidade de um tratamento mais intensivo, como uso de insulina, por exemplo.

Além do seu papel no monitoramento do diabetes, a hemoglobina glicada vem sendo adotada nos últimos anos também como parâmetro diagnóstico para diabetes e “pré-diabetes”, juntamente com a glicemia de jejum e a glicemia medida 2 horas após teste de sobrecarga oral com 75g de glicose, cujos valores são:

– Normal: ≤ 5,6%

– Risco aumentado para evoluir com diabetes (“pré-diabetes”): entre 5,7% e 6,4%

– Sugestivo de diabetes: ≥ 6,5%

Importante destacar que a hemoglobina glicada não é um exame perfeito. Por exemplo, alguns pacientes apresentam excessiva variação nas taxas de açúcar ao longo de um dia, em determinados momentos apresentam picos acima de 200 ou 250 mg/dl e em outros alternam com episódios de hipoglicemias, com valores de 40 ou 50 mg/dl. Como a hemoglobina glicada apenas fornece uma média do período, entre picos e quedas nos valores de glicose, a média pode resultar em um valor aparentemente ideal, mas longe de ser o adequado para um diabético. O ideal é que o paciente apresente uma hemoglobina glicada controlada e com valores de glicemia controladas dentro de uma faixa mais estreita.

Existem outros fatores que podem interferir na análise da hemoglobina glicada e traduzir em valores falsamente elevados ou diminuídos, destacando-se: quadros de anemia, insuficiência renal, doenças relacionadas a hemoglobina (anemia falciforme, talassemias), hemorragias, aumento no nível de triglicérides, alcoolismo, uso crônico de ácido acetilsalicílico, etc. Nestes casos, outros parâmetros devem ser adotados pelo médico que acompanha o caso.

Em resumo, todo o paciente diabético deve saber da importância do valor da hemoglobina glicada e, se possível, deve ter em mente ou anotado seu último valor para auxiliar o médico se o tratamento está ou não no caminho certo. Caso seja diabético ou mesmo apresente excesso de peso com histórico familiar de diabetes e nunca tenha feito este exame, solicite ao seu médico, pois poderá ser muito útil!

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