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Síndrome dos Ovários Policísticos: o que as mulheres precisam saber?

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A s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos √© uma entidade cl√≠nica bastante comum entre as mulheres. √Č poss√≠vel que a pr√≥pria leitora j√° teve ou sofre com este problema ou, ao menos, conhece algu√©m pr√≥ximo que tenha. √Č da √°rea de atua√ß√£o n√£o apenas do ginecologista, como tamb√©m interessa ao dermatologista e ao endocrinologista, em nosso caso espec√≠fico por conta das altera√ß√Ķes hormonais associadas e o que elas podem acarretar no organismo feminino.

√Č caracterizada pela produ√ß√£o excessiva de horm√īnios masculinos, conhecidos por andr√≥genos, pelos ov√°rios. Mais adiante explicaremos algumas teorias que levam os ov√°rios a produzir excessivamente estes horm√īnios. Os andr√≥genos, em pequenas quantidades, s√£o importantes para o bem-estar f√≠sico da mulher, pois auxiliam na manuten√ß√£o do desejo sexual, ganho de massa muscular e vigor f√≠sico. Entretanto, em excesso seus n√≠veis podem ser prejudiciais.

E o que o excesso de horm√īnios masculinos pode provocar nas portadoras da s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos?

A seguir est√£o listadas as principais manifesta√ß√Ķes cl√≠nicas da s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos. Lembrando que n√£o √© obrigat√≥rio que a mulher tenha todos os seguintes achados:

РCiclos menstruais irregulares e, em alguns casos, até desaparecimento dos ciclos (amenorreia)

РAusência de ovulação e infertilidade (dificuldade para engravidar)

– Aumento de pelos em √°reas t√≠picas masculinas, como t√≥rax, abd√īmen, coxas, costas, rosto (bigode e barba), etc, situa√ß√£o chamada de hirsutismo.

– Acne (espinhas) e oleosidade excessiva da pele

– Escurecimento da pele em regi√Ķes de dobras cut√Ęneas, como axilas, abaixo das mamas, atr√°s e nas laterais do pesco√ßo, etc (acantose nigricans)

– Aumento do odor axilar

Al√©m disto, a s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos est√° associada a doen√ßas potencialmente graves, seja como um poss√≠vel fator causal ou como um marcador de risco para evoluir com as seguintes situa√ß√Ķes:

– Diabetes tipo II e intoler√Ęncia √† glicose

– Diminui√ß√£o nos n√≠veis de colesterol HDL (colesterol ‚Äúbom‚ÄĚ)

– Hiperplasia e c√Ęncer de endom√©trio (camada interna do √ļtero)

A respeito da associação com as doenças acima, é importante destacar que o risco é maior naquelas portadoras da síndrome e que estão acima do peso.

Como diagnosticar?

A s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos √© diagnosticada pela seguinte tr√≠ade: quadro cl√≠nico compat√≠vel com excesso de horm√īnios masculinos conforme acima explicado, achado ultrassonogr√°fico de ov√°rios polic√≠sticos no exame de ultrassom p√©lvico e n√≠veis elevados de andr√≥genos detectados pelo exame de sangue.

Para se fechar este diagn√≥stico, √© necess√°rio pelo menos dois dos tr√™s crit√©rios acima e a exclus√£o de outras doen√ßas que podem levar a um quadro cl√≠nico semelhante (ex: hirsutismo idiop√°tico, hiperplasia adrenal cong√™nita, tumores de ov√°rio e de adrenal, uso de medicamentos como cortic√≥ides, √°cido valpr√≥ico, etc). Entretanto, a s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos √© disparada a principal causa de excesso de horm√īnios masculinos nas mulheres. Importante destacar que nem todas as portadoras encontrar√£o os microcistos ovarianos ao ultrassom, mas nem por isso deixar√£o de ser suspeitas.

E quais são as causas da síndrome dos ovários policísticos?

N√£o sabemos exatamente em cada caso o que eleva os n√≠veis de horm√īnios masculinos, existem v√°rias teorias, as mais conhecidas s√£o:

– Imaturidade do sistema reprodutor, sendo esta situa√ß√£o mais frequente em mulheres mais jovens, que come√ßaram a menstruar h√° pouco tempo ou mesmo ainda n√£o tiveram a primeira menstrua√ß√£o. Neste caso, h√° um desbalan√ßo na rela√ß√£o entre horm√īnios femininos e masculinos formados, com aumento relativo deste √ļltimo.

– Excesso de peso com predom√≠nio de ac√ļmulo de gordura abdominal, que induz a produ√ß√£o excessiva de insulina, um horm√īnio respons√°vel por manter os n√≠veis de a√ß√ļcar no sangue controlados, mas que em excesso alterar√° a produ√ß√£o de horm√īnios pelos ov√°rios, induzindo a um aumento na produ√ß√£o de horm√īnios masculinos. Por isto √© mais frequente esta s√≠ndrome em mulheres com sobrepeso e obesidade.

– Defici√™ncia de enzimas ovarianas que convertem a testosterona (horm√īnio masculino) em estrog√™nio (principal horm√īnio feminino). Os horm√īnios femininos s√£o derivados dos horm√īnios masculinos e, neste caso, a uma falha neste processo de convers√£o.

– O pr√≥prio acumulo de testosterona dentro do ov√°rio relacionado as causas acima explicadas levaria a uma evolu√ß√£o incompleta do fol√≠culo ovariano em √≥vulo maduro. Este fol√≠culo ovariano que n√£o amadureceu at√© o fim (chamado de atr√©sico) √© incapaz de converter horm√īnio masculino em feminino e se acumular√° a cada ciclo nos ov√°rios, criando um c√≠rculo vicioso que perpetuar√° este quadro de excesso de horm√īnios masculinos. S√£o eles que dar√£o o aspecto de policistos no exame de ultrassom.

Portanto, será mais comum fazermos o diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos em mulheres adultas jovens e adolescentes e que estão acima do peso. Entretanto, alguns casos podem se manter ao longo de boa parte da vida fértil da mulher e também em mulheres com peso adequado.

Como tratar a síndrome dos ovários policísticos?

Conforme j√° discutimos, √© importante para as portadoras da s√≠ndrome manterem o peso controlado e seguirem um programa de reeduca√ß√£o alimentar e atividades f√≠sicas. Assim como outras situa√ß√Ķes cl√≠nicas j√° discutidas em nosso blog, essa √© mais uma para conta desfavor√°vel de se estar acima do peso.

Primeiramente √© necess√°rio saber se a mulher deseja engravidar em breve. Isto porque algumas das medica√ß√Ķes dadas para tratar a s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos podem provocar malforma√ß√Ķes fetais. A depender da medica√ß√£o em uso, deve-se aguardar pelo menos 6 meses de suspens√£o da mesma para planejar a gesta√ß√£o.

No caso de mulheres cuja principal queixa √© a infertilidade, utiliza-se medica√ß√Ķes que favore√ßam a ovula√ß√£o, como a metformina e o acetato de clomifeno.

J√° naquelas em que a principal queixa seja a irregularidade menstrual e as manifesta√ß√Ķes dermatol√≥gicas como excesso de pelos e acne, anticoncepcionais orais s√£o a medica√ß√£o de primeira escolha. Na grande maioria dos casos o uso exclusivo de p√≠lulas anticoncepcionais j√° √© suficiente para o controle dos sintomas, entretanto a indica√ß√£o de qual a melhor p√≠lula permanece controversa e deve ser individualizada e deve-se verificar antes se h√° alguma contraindica√ß√£o ao seu uso.

Importante destacar que a melhora do excesso de pelos n√£o √© imediata e s√≥ ser√° mais notada a partir do 6¬ļ m√™s de tratamento, atuando sobre o nascimento do pelo novo. Quanto ao pelo j√° existente, recomenda-se a depila√ß√£o mec√Ęnica, a laser e uso de cremes como a eflortina, a depender das caracter√≠sticas de pelo e pele de cada uma.

Entretanto, algumas mulheres n√£o apresentar√£o resposta satisfat√≥ria ao uso exclusivo de anticoncepcionais orais e, nestes casos, pode-se indicar a associa√ß√£o com outra medica√ß√£o com perfil que antagonize os efeitos dos horm√īnios masculinos, como a ciproterona, a espironolactona, a metformina e a finasterida.

Obviamente a indica√ß√£o destas medica√ß√Ķes deve ser feita somente por m√©dico com experi√™ncia no tratamento da s√≠ndrome dos ov√°rios polic√≠sticos.

E como √ļltima mensagem, o tratamento para ser realmente eficiente e minimizar os riscos de uma recidiva ap√≥s suspens√£o das medica√ß√Ķes deve ser o mais longo poss√≠vel, preferencialmente por um per√≠odo igual ou superior a 2 anos.

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