SUPLEMENTOS NATURAIS DE EMAGRECIMENTO – O PERIGO QUE VOCÊ NÃO SABIA

Na semana passada foi dada a trágica notícia de uma mulher de 42 anos que apresentou um quadro de hepatite fulminante seguida de óbito após consumir um dito chá emagrecedor de 50 ervas. Para as pessoas em geral essa notícia foi chocante, afinal de contas, esperamos que um produto natural só faça o bem para a saúde, que promova emagrecimento sem os efeitos colaterais dos medicamentos alopáticos. Nada mais equivocado do que esse pensamento. Muitos medicamentos são derivados de plantas, fungos e outras tantas substâncias naturais. Quase todos eles possuem efeitos colaterais, alguns graves, inclusive. Porém, a diferença é que um medicamento original possui algo que um suplemento natural não possui: uma bula. A bula, que muitas pessoas morrem de medo de ler, traz exatamente informações importantes como dose máxima segura, interações medicamentosas, efeitos colaterais mais esperados e raros, entre outros. E tais informações só puderam ser colocadas em bula porque esse medicamento foi bastante estudado antes de ir ao mercado. E os suplementos? O rigor da vigilância sanitária sobre essas substâncias naturais nem de longe é o mesmo dos medicamentos, é muito mais frouxo. Muitos sequer têm informações básicas como nome e dosagem de cada princípio ativo, não possuem estudos científicos sérios apoiando seu uso, são fabricados em laboratórios de fundo de quintal sem qualquer controle de qualidade ou procedência… E o povo toma sem o menor receio! O importante é emagrecer sem precisar passar no médico! Alguns exemplos bem populares: citrus aurantium pode causar crises de arritmia cardíaca, pressão alta e ansiedade; cáscara sagrada e diuréticos só perdem peso por desidratação; noz-da-Índia, além da diarreia intensa e desnutrição, pode causar hepatite fulminante e morte. Não sou contra suplementos naturais, mas jamais prescreveria para meu paciente algo que não sei se funciona, nem de onde vem e muito menos se nada sei sobre sua segurança. Sem esses dados, não vale a pena arriscar a saúde.
TENHO NÓDULO DE TIREÓIDE, DEVO FAZER PUNÇÃO?

O nódulo de tireóide tornou-se um dos principais motivos que levam as pessoas a irem ao endocrinologista. Muitas vezes não se trata somente de um nódulo, pode haver dois, três ou até mais! E aí vem a pergunta: será benigno ou poderá ser um câncer de tireóide? Terei que fazer a punção? A resposta é: na grande maioria das vezes não será necessário a punção, somente o acompanhamento por ultrassom já será suficiente. Isso porque a grande maioria dos nódulos é benigna e um achado bastante comum, principalmente em mulheres e cuja incidência aumenta com a idade. Mesmo alguns nódulos malignos muito pequenos podem simplesmente permanecer estáveis e nunca evoluir. Porém, em caso de nódulos mais suspeitos, a punção deverá ser realizada. Para isso, utilizamos uma classificação da imagem de ultrassom chamada TI-RADS. Nela, o nódulo pode receber uma pontuação de que vai de 1 a 5. Quanto maior o valor, maior o risco de ser maligno. Levamos em consideração vários aspectos do nódulo para classificá-lo, como tamanho, contornos regulares ou irregulares, mais líquido ou sólido, ecogenicidade (a “cor” do nódulo ao ultrassom, mais claro ou escuro), presença de calcificações e se é mais largo ou mais alto. Assim, classificamos o nódulo e determinamos qual será a conduta: – TI-RADS 1 (benigno): não é necessária punção – TI-RADS 2 (não suspeito): não é necessária punção – TI-RADS 3 (levemente suspeito): acompanhar com ultrassom se ≥ 1,5 cm. Punção se ≥ 2,5 cm – TI-RADS 4 (moderadamente suspeito): acompanhar com ultrassom se ≥ 1,0 cm. Punção se ≥ 1,5 cm – TI-RADS 5 (altamente suspeito): acompanhar com ultrassom se ≥ 0,5 cm. Punção se ≥ 1,0 cm Obviamente essa não é uma classificação perfeita, mas serve como um bom parâmetro. Além disso, outros fatores deverão ser levados em conta como distância do nódulo para a cápsula que limita a tireoide (quanto mais perto, maior o risco de invasão se for maligno), histórico familiar de câncer de tireoide de comportamento agressivo, entre outros
CONTRAVE – NOVO MEDICAMENTO PARA OBESIDADE APROVADO NO BRASIL

No final do ano passado a Anvisa liberou a venda de mais uma medicação para o tratamento da obesidade e sobrepeso no Brasil, o Contrave, que é a combinação fixa de dois medicamentos que já existem por aqui: a Bupropiona e a Naltrexone. A Bupropiona é um medicamento utilizado para cessar o hábito do tabagismo, como antidepressivo e que possui um efeito moderador de apetite discreto. Quando combinado ao Naltrexone, cuja função inicial é a de auxiliar no tratamento do alcoolismo, a potência inibitória da fome e do desejo de comer da Bupropiona aumenta significativamente, tornando-se assim uma ótima medicação para o controle do peso. Mais especificamente, elas agem em duas regiões do cérebro: no hipotálamo, onde atua diretamente sobre o centro da fome, diminuindo assim o tamanho das porções e frequência de comer e no sistema mesolímbico, área relacionada ao comer emocional, o famoso desejo de consumir certos alimentos, como salgados e doces. De acordo com os estudos, o medicamento promove uma perda média de 7% do peso, algo comparável a medicamentos como a Sibutramina. Talvez muitos de vocês já usaram ou conhecem alguém que recebeu essa combinação de medicamentos de forma manipulada. Como ambas tem sua venda autorizada de forma isolada por aqui, mas em dosagens diferentes das utilizadas para perda de peso e encontradas em drogarias, é relativamente comum vermos fórmulas com esses dois remédios. Entretanto, essas formulações não são exatamente iguais ao medicamento original. O Contrave apresenta liberação estendida e efeito prolongado que não existe nos manipulados, além de ser mais confiável em termos de controle de qualidade. Portanto, esperamos uma melhor eficácia com o produto original. Deverá ser comercializada somente com receituário médico controlado, por se tratar de um fármaco com ação neuropsíquica e que apresenta contraindicações de uso, como em portadores de epilepsia, transtornos psicóticos, usuários de analgésicos opioides, hipertensão mal controlada, entre outros. Para finalizar, nenhum medicamento para perda de peso trará bons resultados de forma isolada. É necessária uma real mudança de estilo de vida e acompanhamento médico e nutricional, sempre!
TIREOIDITE DE HASHIMOTO E INFERTILIDADE FEMININA

Muitas mulheres que desejam engravidar e ter um bebê não conseguem por uma diversidade de fatores e doenças envolvidas, entre elas a tireoidite de Hashimoto. Foi o que um grande estudo de meta-análise publicado esse mês na revista Reproductive Medicine and Biology mostrou. Há muito tempo sabemos que o hipotireoidismo, que é a falta de hormônios da glândula tireóide, é uma causa não só de infertilidade, como também de irregularidade menstrual, abortamento e parto prematuro. Por conta disso, gestantes ou aquelas que desejam engravidar e tem hipotireoidismo devem manter um TSH controlado entre 0,5 e 2,5 UI/ml. Entretanto, o estudo mostrou que não somente a falta de hormônios como a própria presença de anticorpos contra a tireóide, mesmo naquelas pacientes que ainda tem níveis normais de hormônios, pode ser causa tanto de infertilidade como de menopausa precoce! Para quem não sabe, o principal causador de hipotireoidismo é a doença autoimune tireoidite de Hashimoto, na qual anticorpos contra a tireóide são produzidos pelo sistema imunológico do paciente e atacam a glândula. Em um primeiro momento, a tireóide permanece funcionando normalmente. Com o passar do tempo, o dano contra a glândula tireóide pode se tornar grande a ponto dela não conseguir mais produzir seus hormônios, e a pessoa desenvolve o hipotireoidismo. E esses anticorpos, pelo que esse estudo mostrou, não se limitam apenas a atacar a tireóide, eles também diminuem a reserva de óvulos, que é medida através da dosagem do hormônio anti-mulleriano. Ainda não sabemos exatamente de que forma isso ocorre. O que sabemos é que a portadora de tireoidite de Hashimoto apresenta um pico de hormônio anti-mulleriano na adolescência e que depois cai de uma forma acelerada, o que sugere que a doença pode levar a um esgotamento prematuro das reservas ovarianas. Saber quem são as mulheres portadoras de tireoidite de Hashimoto, portanto, é fundamental para que possamos acompanhá-las e, eventualmente, tratá-las o quanto antes, seja através da reposição de levotiroxina naquelas que já apresentam alguma deficiência de hormônios, não atrasar muito o momento da gravidez ou mesmo congelar óvulos antes que as reservas se esgotem.
Benefícios do Whey Protein

O Whey Protein é um suplemento alimentar rico em proteínas, derivado do soro do leite, geralmente obtido no processo de fabricação de queijos (lembra daquele soro que vem no saquinho de queijos frescos? É dali que vem o Whey)Bastante conhecido entre praticantes de atividades físicas que buscam hipertrofia muscular, o Whey Protein vem ganhando outros adeptos, como idosos e portadores de doenças como diabetes e obesidade E quais seriam suas vantagens? Fornece uma mistura (blend) de aminoácidos bastante diversificada, incluindo altas concentrações de leucina, fundamental para construção muscular e que muitas vezes não é obtido somente por meio de dieta Apresenta resultados superiores a outras formulações proteicas existentes, como a caseína e aminoácidos de cadeias ramificadas (BCAAs) usados isoladamente, exatamente por ser mais completo Seu uso regular está associado a melhora na secreção de insulina e diminuição de fatores de inflamação que dificultam a ação desse hormônio em portadores de diabetes Promove saciedade característica de fontes de proteína e com uma baixa concentração de carboidratos e gorduras, o que é bastante interessante de ser utilizado em pessoas que desejam emagrecer Idosos tem maior risco de desnutrição proteica por conta da maior dificuldade de digestão e mastigação de carnes. O Whey Protein é uma boa alternativa de fonte proteica para esse público Auxilia no processo de recuperação muscular em atletas de provas de longa duração como nos triatletas e maratonistas, bem como em indivíduos que perderam muita massa magra, como pacientes acamados por sequelas de doenças graves. Entretanto, apesar dos diversos benefícios, o Whey Protein não pode ser utilizado de forma indiscriminada e sem o devido acompanhamento médico e nutricional. É necessário que a pessoa já siga uma dieta balanceada, um programa estruturado de treinos de musculação, verifique a função dos rins e do fígado, alergias a proteínas do leite de vaca, entre outros
Medicamentos para diabetes tipo 2 não são todos iguais

Há pouco mais de 10 anos, tratar diabetes significava apenas buscar de qualquer forma atingir as metas de glicemia e hemoglobina glicada que, automaticamente, estaríamos livres das complicações do diabetes. Nada mais equivocado, por incrível que pareça. Estudos da época mostraram que, a partir de um certo ponto de controle glicêmico, as taxas de complicações e mortalidade não diminuíam mais. Pelo contrário, se fosse muito rigoroso poderíamos até colocar o paciente em risco. O culpado eram as hipoglicemias que aconteciam com as drogas mais antigas, como as sulfoniluréias (ex: glibenclamida, glimepirida). Por conta disso, iniciou-se a busca por medicações mais seguras. Surgiram, primeiramente, os Inibidores da DPP-4, como a Sitagliptina (Januvia), Vildagliptina (Galvus), Linagliptina (Trayenta), Saxagliptina (Onglyza) e Alogliptina (Nesina). Com mínimos efeitos colaterais, essas medicações fizeram sucesso, mas ainda não eram potentes o bastante em muitos casos e não conseguiram reverter as enormes taxas de complicações e mortes em decorrência do diabetes. Então vieram duas classes de medicamentos que, aí sim, podemos considerar divisores de águas no tratamento do diabetes: os Inibidores da SGLT-2 e os Análogos do GLP-1. A primeira atua de forma inovadora, auxiliando os rins a eliminarem glicose pela urina. Além de uma boa potência, mostrou significativa redução no risco de evolução para insuficiência renal e cardíaca. Destacamos nesse grupo a Dapagliflozina (Forxiga), Empagliflozina (Jardiance) e a Canagliflozina (Invokana). Já os Análogos do GLP-1 são os “queridinhos” do momento, não apenas por serem eficazes no controle glicêmico e por reduzir o risco cardiovascular e renal, mas também por auxiliarem na perda de peso. Por aqui temos a Liraglutida (Victoza e Saxenda), Dulaglutida (Trayenta) e Semaglutida (Ozempic). Infelizmente o maior empecilho para o maior uso desses últimos é o custo elevado. Esperamos que com o tempo se tornem mais acessíveis a todos os portadores de diabetes.
Exercícios físicos em jejum: prós e contras

Realizar atividades físicas em jejum vem ganhando cada vez mais adeptos. Seus defensores argumentam que essa é uma forma de turbinar a queima de gordura naqueles que desejam perder peso. A base fisiológica para isso é que durante o jejum os estoques de açúcar acumulados no fígado e músculo, chamado de glicogênio, estão muito baixos. Desta forma, assim que o indivíduo começa a se exercitar o organismo já passa a consumir diretamente as reservas de gordura. De fato, um estudo de revisão sistemática publicado no British Journal of Nutrition em 2016 mostrou que durante o treino em jejum houve um maior consumo (oxidação) de gorduras, porém isso não se traduziu em maior perda de peso, que foi semelhante aos que se alimentaram antes do treino. Para que haja a quebra de gordura em jejum, dois hormônios entram em ação, o glucagon e o cortisol. Esse último não somente estimula o consumo de gordura, mas também de proteínas como fonte de energia. Resultado: treinar em jejum pode levar a perda de massa muscular. Além disso, nem todas as pessoas irão tolerar treinar em jejum, muitos poderão sentir fraqueza, tontura, sintomas de hipoglicemia e pode haver piora da imunidade com infecções de repetição. Quem não está acostumado a treinar em jejum deve ir com calma. Em resumo, esse ainda é um tema em aberto que necessita de mais estudos para uma melhor conclusão. É possível que para aqueles que desejam perder peso haja algum benefício, mas certamente para aqueles que querem melhorar a performance e ganhar massa muscular, treinar em jejum não é uma boa estratégia.
Saiba mais sobre o pré-diabetes

Pré-diabetes, como o próprio nome sugere, é um estágio clínico que antecede o diabetes, em que os valores glicêmicos estão elevados mas ainda não atingiram os níveis de diabetes. Para ser classificado como pré-diabetes é necessário ao menos um dos critérios a seguir: ???????? Glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl ???????? Glicemia após teste de sobrecarga oral com 75g de glicose entre 140 e 199 mg/dl ???????? Hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%Portadores de pré-diabetes estão sob maior risco de se tornarem diabéticos. Cerca de 25% deles irão evoluir para o diabetes em até 5 anos Alguns indivíduos, entretanto, podem ter um risco ainda maior de desenvolver diabetes, como aqueles com sobrepeso ou obesidade, mulheres com síndrome dos ovários policísticos, portadores de hemoglobina glicada maior ou igual a 6,0% e aqueles que possuem tanto a glicemia de jejum alterada quanto intolerância à glicose após sobrecarga oral de glicose. Importante destacar que já no pré-diabetes podem começar a surgir as primeiras complicações do diabetes, principalmente em pequenos vasos como os das retinas, terminações nervosas e rins. O pré-diabetes é uma situação potencialmente reversível e muitos pacientes irão conseguir superar ou ao menos estabilizar esta condição através de mudanças de estilo de vida, reduzindo açúcares, álcool e outros carboidratos simples, realizando atividades físicas regulares e subsequente diminuição de gordura abdominal, melhorando qualidade de sono, entre outros. Já naquele grupo de pré-diabéticos de maior risco que citamos acima, o uso de medicamentos como a metformina, a pioglitazona, a liraglutida, entre outros, deve ser considerado. Pré-diabetes deve ser levado tão a sério quanto o próprio diabetes, é onde as chances de virar o jogo para melhor são maiores. Consulte um especialista.
Obesidade: para diferentes formas de ganho de peso, diferentes tratamentos

Qual o melhor tratamento para perda de peso? Infelizmente não existe uma receita que sirva para todos, cada caso é um caso. Uma determinada medicação pode funcionar muito bem em um paciente e em um outro não ser efetiva. Se por um lado é difícil individualizar o tratamento, por outro é possível estabelecermos alguns padrões de ganho de peso que podem nos orientar a tomar uma melhor conduta do que apenas “chutarmos” qual medicação escolher. Dessa forma, um estudo publicado nesse mês na revista médica Obesity tentou estabelecer 4 diferentes padrões ou fenótipos para ganho de peso. Cada um recebeu uma diferente linha de tratamento e eles foram comparados com a terapêutica não baseada em qualquer protocolo. Foram assim divididos: 1- Fome Cerebral: indivíduos que fazem grandes refeições, também chamada de hiperfagia. Receberam combinação de Fentermina e Topiramato;2- Fome gastrointestinal: tem dificuldade de se manter saciados após uma refeição e poucas horas depois precisam comer novamente. Receberam a medicação Liraglutida;3- Fome emocional ou hedônica: caracterizada por humor negativo e necessidade de se recompensar com alimentos. Receberam combinação de Bupropiona e Naltrexone;4- Queimadores lentos: pacientes com baixo gasto energético em repouso, reduzido ritmo de atividade física e baixa massa muscular. Receberam Fentermina e intensificaram treino muscular de resistência. Em comparação ao tratamento não padronizado, a perda de peso foi 75% maior naqueles que seguiram esse protocolo. A perda de peso média no grupo padronizado foi de 16% em 1 ano contra 9% no grupo não padronizado. Importante destacar que 27% dos pacientes tinham mais de um fenótipo de ganho de peso e 15% não se encaixavam em qualquer um desses, o que mostra que mais estudos e com diferentes combinações de tratamento ainda são necessários. Além disso, não devemos utilizar esse protocolo como verdade absoluta e sair se automedicando, seria simplista demais pensar dessa forma. Consulte sempre um especialista.
Considerações sobre a vacina contra COVID-19

Não há assunto que seja mais debatido hoje do que a vacina contra COVID-19. São muitas dúvidas, inseguranças e equívocos que surgem e que nos deixam confusos. Os estudos até aqui não são os ideais, visto que o seguimento dos vacinados ainda é curto, não temos plena certeza de quanto tempo durará o efeito da vacina e as pesquisas deveriam ter englobado maior número de idosos, doentes crônicos, crianças etc. Porém, estamos diante de uma calamidade e é necessário sermos mais rápidos e práticos. Seremos muito lentos se esperarmos obter todas as respostas, que podem demorar anos para vir, e muito mais vidas serão perdidas. Em todo caso, temos alguns pontos que podemos confiar. Primeiro, todas as vacinas que completaram a fase 3 dos estudos mostraram-se seguras. Essa é a fase final das pesquisas, em que a vacina é testada em um grande grupo de pessoas. Tais estudos são importantes para aumentar as chances de detectar efeitos colaterais mais graves e, no caso da vacina, foram bastante raros, bem menor do que o risco de ter uma grave complicação pelo vírus. Com relação a eficácia, nenhuma vacina foi capaz de imunizar 100% das pessoas, mas todas reduziram quase que completamente as formas mais graves de COVID-19 que podem levar ao óbito, e isso já é uma vitória. As taxas de imunização entre as diferentes vacinas variaram entre 50% a 90%, o que significa que ainda teremos o vírus circulante. Uma pessoa poderá contrair o COVID-19 de forma mais branda e ainda será capaz de transmitir a doença, daí a importância de vacinarmos o maior número de pessoas possíveis. Caso contraia a doença, ao menos será mais leve. Enquanto ainda persistir esse grande contingente de pessoas não vacinadas e vulneráveis, não devemos baixar a guarda e as medidas de proteção deverão ser mantidas. Por fim, não dá para esperar uma vacina ideal. Quanto maior a demora em se vacinar, mais rápida será a replicação do vírus e maiores as chances de surgirem formas resistentes ao esquema atual de tratamento.
