O que é a ‘síndrome da mulher atleta’?

Tivemos recentemente os jogos olímpicos com presença cada vez maior das mulheres em diversos esportes. A cada nova edição assistimos a quebra de recordes em diversas modalidades e a superação de limites. Porém, em muitos casos, o organismo poderá cobrar seu preço se esse ganho de performance não for feito de forma saudável, que é o que veremos a seguir. A Síndrome da Mulher Atleta caracteriza-se pela seguinte tríade: redução drástica do aporte calórico (menos de 30 kcal/kg de massa livre de gordura ao dia) acompanhada ou não por quadros de bulimia e anorexia; alterações no ciclo menstrual que podem ir desde ciclos irregulares até parada total da menstruação e infertilidade; perda grave de massa óssea que poderá levar a fraturas por estresse ou de baixo impacto. Essa síndrome é mais vista em praticantes de atividades físicas que podem obter ganhos com a redução de peso, como as ginastas olímpicas, corredoras fundistas, patinadoras etc. Ao reduzir o percentual de gordura de forma acentuada o hipotálamo, região do cérebro que controla o apetite e gasto calórico, tentará economizar energia das funções sexuais e reprodutoras, diminuirá os impulsos hormonais que regulam o funcionamento dos ovários e a produção de hormônios como progesterona e estrogênio. Por sua vez, a deficiência desses, associada a má nutrição, levará as manifestações clínicas que já citamos. Porém, temos visto cada vez mais essa síndrome em mulheres que são atletas amadoras ou que simplesmente estão em busca do corpo perfeito com percentuais de gordura corporal mínimos. Devemos suspeitar desta síndrome em mulheres muito magras que praticam atividades físicas de elevada intensidade e que, ao mesmo tempo, forçam uma redução na ingesta alimentar na tentativa de atingir seus objetivos desportivos e estéticos. Por conta disso, é importante que todas as mulheres que desejam perder peso e melhorar seu desempenho físico sejam acompanhadas por nutricionistas, profissionais de educação física e médicos especializados.

Saiba mais sobre a creatina

A creatina é classificada como um suplemento alimentar, de uso regulamentado e está entre as substâncias ergogênicas mais vendidas no mundo. Seu papel fundamental é fornecer energia para atividades de curta duração, como em levantamento de peso e corridas de sprint. Através de seu metabólito fosfocreatina, ele fornece fósforo para transformar a molécula de ADP em ATP. Esse, por sua vez, libera energia para contração rápida e de alta intensidade para os músculos. Simplificando, é como se a creatina “recarregasse as nossas baterias”, o ADP seria a bateria descarregada e o ATP carregada. Com mais energia à disposição, conseguimos fazer treinos mais longos e intensos e o músculo demora mais tempo para entrar em fadiga. Como resultado, há um maior ganho de massa muscular associado ao treino e melhora do desempenho físico, mais notado em provas de curta duração que exigem explosão. Mas a creatina não serve somente para os praticantes de atividades físicas, ela pode ser muito útil no contexto clínico de diversas doenças que levam a perda de massa muscular, como em idosos, pacientes acamados por sequelas de doenças neurológicas ou que estão em recuperação de estados de internação prolongada, como após COVID-19, por exemplo. Importante ressaltar que estudos de longo prazo não demostraram que a creatina seja prejudicial ao funcionamento dos rins, mas seu uso deve ser feito em intervalos de no máximo 3 meses consecutivos, pois seu uso prolongado pode inibir a formação de ATP pelo próprio organismo. Antes de iniciar seu uso, consulte seu médico e nutricionista. São necessários exames laboratoriais, principalmente de função renal e fígado, para se certificar de que o paciente está apto a utilizar creatina, bem como é necessário um acompanhamento profissional ao longo do tratamento.

Bioimpedanciometria: Exame essencial para o controle de peso

Como medir se um programa para perda de peso está dando certo? Será que só o peso perdido indicado na balança e o índice de massa corpórea (IMC, que é o peso/altura²) são suficientes? E aquele paciente que está treinando para ganhar massa muscular, de que forma podemos ver sua evolução? Para isso utilizamos os métodos de análise de composição corporal, dentre eles um dos mais populares é a bioimpedanciomentria. Através deste equipamento, medimos a resistência que diferentes partes do corpo tem a passagem de uma corrente elétrica de baixa voltagem. De maneira bem simples, quanto mais massa gorda uma pessoa possui, maior a resistência a passagem desta corrente elétrica. Alguém que perde peso e, ao mesmo tempo diminui sua resistência elétrica, provavelmente está eliminando massa gorda e vice-versa.Assim, o aparelho é capaz de calcular alguns parâmetros como massa gorda, percentual de gordura corporal, massa magra e, dentro deste compartimento, a massa muscular, além de estimar a taxa metabólica em repouso ou basal. Acompanhar a evolução desses indicadores é de extrema utilidade. Ele responde a perguntas importantes como, por exemplo, se um paciente que perdeu pouco peso entre uma consulta e outra foi porque seu tratamento estagnou ou por estar ganhando massa muscular na mesma proporção que está perdendo massa gorda, o que seria bom neste último caso. Serve também para avaliar se uma pessoa com um IMC normal é realmente saudável ou apresenta um percentual de gordura aumentado e não percebido, acompanhar o progresso de exercícios de musculação, entre outros. Importante ressaltar que nem todos os equipamentos disponíveis trazem informações confiáveis e é necessário alguns cuidados antes de realizar esse exame, como estar em jejum por pelo menos 4 horas, evitar medir no período menstrual, retirar objetos metálicos etc. Na Árium Saúde dispomos de aparelho de bioimpedanciometria de alta precisão para um melhor acompanhamento dos pacientes em diferentes situações. Agende sua consulta.

Os perigos do excesso da vitamina D

É bem provável que você já ouviu falar dos inúmeros benefícios da vitamina D, alguns cientificamente reconhecidos e outros que carecem de comprovação. O principal papel da vitamina D está em auxiliar na absorção de cálcio através do intestino. Se o nível de vitamina D estiver baixo, o cálcio da alimentação e de medicamentos terá dificuldade em ser absorvido e isso poderá levar a perda progressiva de massa óssea e osteoporose. Outros efeitos especulados da vitamina D envolvem aumento de força muscular, melhora de transtornos de humor, ações anti-inflamatórias e imunomoduladoras, que em tese poderiam reduzir o risco de doenças autoimunes, câncer e infecções graves. Justamente aí está o perigo. Muitos pacientes buscam tratamentos alternativos para inúmeras doenças, inclusive COVID-19, baseados em superdosagens de vitamina D, que podem ser aplicadas em clínicas de credibilidade duvidosa por meio de injeções e que recomendam níveis no sangue muito mais altos do que o proposto pelas principais sociedades médicas. O excesso de vitamina D ocasiona um aumento exagerado de cálcio no sangue que, por sua vez, acaba por ser eliminado pelos rins, o que leva a um aumento de diurese, desidratação, formação de cálculos renais e sintomas como náuseas, vômitos e fraqueza muscular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, os níveis plasmáticos de vitamina D devem estar entre 20 ng/dl e 60 ng/dl na população geral e entre 30 ng/dl e 60 ng/dl em portadores de osteoporose e osteopenia e grupos de risco para perda de massa óssea, como idosos, gestantes, lactantes, portadores de raquitismo e osteomalácia, má absorção intestinal (ex: pós cirurgia bariátrica), doença renal crônica, entre outros. Lembrando que a principal forma de se adquirir vitamina D é por meio da exposição solar frequente e através de alimentos como peixes gordurosos e gema de ovo. Suplementos orais podem ser utilizados e muito raramente será necessário o uso de formulações injetáveis. Fiquem espertos!

COVID-19 e o risco de trombose

Para você que está com receio de tomar a vacina contra COVID-19 pelo possível risco de formação de coágulos e trombose, observe a figura fornecida pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) Nela podemos ver que o risco de apresentar este efeito adverso é extremamente baixo, menor do que muitos efeitos colaterais graves visto em medicamentos comumente utilizados, como antibióticos, antinflamatórios, anticoncepcionais orais etc Mais importante: compare com o risco de trombose caso se infecte pelo COVID-19, que é muito maior Para ficar mais ilustrativo, o que você prefere? Viajar de avião ou correr de moto em uma via movimentada e sem capacete? Em medicina não existe risco zero, tudo é relativo, neste caso não deveria haver dúvidas sobre o que escolher. Esperar pela vacina ideal é se manter vulnerável ao COVID-19 #vacinasalvavidas

Sedentarismo aumenta o risco de infecção grave por COVID-19

Quando pensamos em fatores de risco para infecção grave por COVID-19 logo lembramos de idade avançada, obesidade, diabetes e portadores de doenças cardiovasculares.Porém, independente desses fatores, um outro foi apontado em estudo recentemente publicado no British Medical Journal: o sedentarismo. De acordo com esse estudo, pessoas totalmente sedentárias, consideradas como aquelas que faziam menos de 10 minutos de exercícios semanais, tinham uma chance 2,26 vezes maior de serem internadas em UTI e 2,49 vezes maior de morrerem por COVID-19 se comparadas ao grupo de pessoas fisicamente ativas, que são aquelas que faziam no mínimo 2 horas e meia de atividades físicas por semana. E aí nos deparamos com o seguinte dilema, a própria pandemia gerou uma situação de confinamento que limitou a prática de atividades físicas. Academias e parques fechados ou com limite de pessoas, saídas para ir ao trabalho substituídos pelo home office e até o receio de fazer uma simples caminhada ao ar livre e se contaminar contribuíram para que as pessoas se tornassem ainda mais sedentárias. E o que fazer diante dessa situação? A solução é adaptar-se. Quem não tem o privilégio de ter uma academia exclusiva terá que transformar a sala de casa em um espaço fitness. Academias e Personal Trainers também tiveram que se reinventar e oferecem hoje aulas online de exercícios físicos possíveis de serem feitos em casa e sem muitos equipamentos. Programas como “Queima Diária” e “Work It”, por exemplo, vieram para ajudar nesse momento. Para aqueles que tem possibilidades, vale a pena comprar ou mesmo alugar uma esteira, um elíptico, uma bicicleta ergométrica ou outros aparelhos. Por fim, caminhar ou pedalar fora de casa também não é algo fora de cogitação. Deve-se escolher um local calmo, sem aglomerações, procurar manter o distanciamento, utilizar a todo instante máscara e medidas de higiene pessoal. Se você teve uma ideia diferente do que fazer de atividades físicas durante a pandemia deixe aí nos comentários.

10 sinais e sintomas de que a glicose está alta no sangue

Em seus estágios iniciais o diabetes costuma ser silencioso, sendo necessário o seu controle por meio de exames de sangue e o monitoramento através de glicosímetros, ainda assim é importante estarmos alertas aos seguintes sinais e sintomas: 1 – Diurese e sede excessivas: o organismo elimina o excesso de açúcar do sangue através da urina. Mais açúcar, mais diurese e maior a necessidade de beber água para repor os fluidos perdidos; 2 – Cansaço e fraqueza: no diabetes a glicose encontra dificuldade em entrar nas células, reduzindo dessa forma o seu fornecimento de energia;3 – Alterações visuais: surgem de várias maneiras, desde turvamento visual, variação do grau dos óculos, visão dupla, manchas no campo de visão, entre outros; 4 – Infecções de repetição: o excesso de açúcar é tóxico para as células de defesa do organismo e aumenta o risco de infecções urinárias, respiratórias, candidíase genital etc;5 – Inchaço nas extremidades: para diminuir a glicose do sangue pela urina, ocorre uma sobrecarga dos rins que, com o passar dos anos, perdem gradualmente sua função e capacidade de eliminar o excesso de líquidos; 6- Formigamento e perda de sensibilidade dos pés: o diabetes também é tóxico para os delicados nervos responsáveis pela sensibilidade, mais notada nos pés no início da doença; 7 – Impotência sexual em homens: pela dificuldade de circulação de sangue para o pênis e diminuição da sensibilidade nervosa do órgão que leva à excitação; 8 – Perda de peso não intencional: a eliminação excessiva de glicose pelos rins leva a perda de calorias que deveriam ser fornecidas às células. Perder peso, nesse caso, não é um bom sinal; 9 – Má digestão e alterações do hábito intestinal: como disse, o diabetes é tóxico para os nervos, inclusive aqueles responsáveis pelos movimentos do estômago e intestino; 10 – Cicatrização lenta: cortes e ferimentos podem demorar mais tempo do que o normal para cicatrizarem pois o diabetes obstrui os vasos que levam plaquetas e fatores de coagulação para o local da lesão.

Triglicerídeos: quais alimentos temos que evitar

Triglicerídeos são a principal reserva de energia do organismo. É a famosa gordura que fica estocada nas células do tecido adiposo, mas que pode ser acumulada em alguns órgãos, como o fígado, ou circular pela corrente sanguínea. Níveis elevados de triglicerídeos estão relacionados a um maior risco de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares, além de outras doenças graves, como a pancreatite. Daí a importância de se controlar o consumo de alimentos que aumentam os triglicerídeos, mas você sabe quais são eles? Antes disso, é preciso entender de que forma o organismo obtém e acumula esses triglicerídeos. Eles podem vir diretamente de fontes alimentares ricas em gorduras saturadas e trans, mas o organismo também pode produzir triglicerídeos. O consumo de carboidratos, em especial os açúcares e amidos refinados, o álcool e a frutose, quando em excesso e não utilizados de imediato, são transformados em triglicerídeos pelo fígado para que possam ser armazenados no tecido adiposo. Dessa forma, fica mais fácil saber quais são as principais fontes de triglicerídeos de nossa dieta: – Massas, pães e biscoitos não integrais – Arroz branco – Bebidas alcoólicas – Doces em geral, como bolos, chocolates, sorvetes, pudim etc. – Refrigerantes e bebidas açucaradas – Mel e xaropes – Excesso de frutas e sucos com alto teor de frutose, como uva, manga, laranja e banana – Massas gordurosas como croissant, coxinha, pastel, batata-frita etc. – Carnes gordas e embutidos, como linguiça, salsicha, salame, bacon, presunto, mortadela etc. – Queijos amarelos – Manteigas e margarinas, principalmente as de consistência mais dura – Atum e sardinha enlatados em óleo Para finalizar, existem casos em que o aumento de triglicerídeos não tem origem em fontes alimentares, como os de origem genética, por uso de medicamentos como anticoncepcionais e antirretrovirais, durante a gravidez, entre outros. Consulte um médico especialista para saber qual é a causa e como tratar essa doença.

O mito do óleo de coco

Falar sobre o óleo de coco é difícil pois faz tempo que ele caiu nas graças do povo por conta de suas supostas propriedades benéficas e difundidas por famosos “gurus” da medicina que, embora sejam muito populares nas redes sociais, não são vistos como profissionais de credibilidade e respeito no meio médico. É comum durante a consulta, ao ser questionado sobre hábitos alimentares, o paciente dizer que se alimenta de forma saudável, incluindo frutas, legumes, verduras, carnes magras, preparados com óleo de coco. Talvez alguns aqui vão se sentir contrariados, mas a verdade é que o óleo de coco além de não ter qualquer benefício comprovado, pode mesmo fazer mal para saúde. Ele é um tipo de gordura composto principalmente por ácidos graxos saturados, como o ácido láurico, mirístico e palmítico. É bom lembrarmos que a gordura saturada é a mesma que irá formar o LDL colesterol, popularmente chamado de colesterol ruim. E isso foi confirmado por um grande estudo de revisão sistemática publicado em março/2020 na revista médica Circulation, que comparou o óleo de coco com outros óleos vegetais. O que se viu foi exatamente o que era esperado: o consumo regular de óleo de coco aumentou significativamente os níveis de LDL colesterol no sangue. Embora os “gurus” digam que tudo isso não passa de falácia da indústria farmacêutica para vender medicamentos para colesterol, que o LDL colesterol raramente faz mal à saúde e que o óleo de coco também aumenta o HDL colesterol, que é o colesterol bom, os mesmos pseudocientistas nunca provaram os efeitos positivos desse produto. Por outro lado, a literatura relacionando o aumento de colesterol LDL com risco cardiovascular é farta e amplamente aceita na comunidade médica. Nenhum profissional sério nega essas evidências. Não que o óleo de coco deva ser proibido. Em pequenas quantidades ele pode realçar o sabor e textura dos alimentos, mas em nome da saúde, prefira outros tipos mais saudáveis como o azeite de oliva, óleo de milho ou amendoim.

O que é preciso saber sobre a sibutramina

Sibutramina é uma velha conhecida de muitos que lutam contra o excesso de peso. Apesar de estar conosco desde os anos 90, muita polêmica permanece no ar. Percebo isso no meu dia a dia de consultório. Muitos não querem ouvir falar dela, temem seus efeitos colaterais ou se usam não dizem para seus familiares e amigos por receio de serem criticados. Existem dois grandes temores com relação ao uso da sibutramina: o medo de ter uma doença cardiovascular grave ou de se tornar dependente do remédio. Para entendermos melhor essa desconfiança, temos que voltar a 2011, ano em que um estudo sobre a sibutramina chamado SCOUT (The Sibutramine Cardiovascular Outcomes) foi publicado. Nesse estudo, a sibutramina foi avaliada em mais de 10 mil pacientes com 55 anos de idade ou mais e que já tinham um alto risco de doença cardiovascular (eram diabéticos, hipertensos mal controlados, tinham histórico de infarto ou acidente vascular cerebral, entre outros). Como resultado, observou-se um aumento de 16% no risco desses pacientes terem um infarto ou acidente vascular cerebral não fatal, parada cardíaca ou morte cardiovascular. Apesar desse aumento ser notado somente nesse grupo de maior risco, isso foi o suficiente para abalar a reputação da sibutramina e ser proibida em vários paísesNo Brasil, sua venda não foi suspensa, mas passou a ter um controle mais rigoroso. O receituário mudou para tarja preta, que significa medicamento com potencial de causar dependência. Na realidade isso foi um artifício criado para dificultar seu acesso, na própria bula da sibutramina nada consta sobre dependência. Porém, por ser um medicamento que age no sistema nervoso central, ela pode ser contraindicada para diversos pacientes com transtornos psiquiátricos. Em resumo, a sibutramina continua a ser uma medicação útil e eficaz no combate a obesidade, mas sua prescrição deve ser criteriosa, somente por médico especializado e após adequada avaliação do risco cardiovascular e psiquiátrico. Jamais se automedique!!!