Melatonina: o hormônio do sono

Hormônios regulam diversas funções de nosso organismo, inclusive o ritmo de sono e vigília. O principal hormônio relacionado ao sono chama-se melatonina. Dormir bem é essencial para nossa saúde. É durante o sono que ocorrem mudanças como reparo do circuito neuronal, das fibras musculares, diminuição de hormônios relacionados ao estresse, entre outros. Dormir mal favorece o surgimento e piora de uma série de doenças, como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, depressão, ansiedade, perda de massa muscular, alterações cognitivas e de memória, entre outros. E a melatonina atua da seguinte maneira: na medida em que a noite chega e diminuímos nossa exposição a luminosidade, células fotossensíveis localizadas nas retinas enviam estímulos para a glândula pineal, que fica localizada na parte debaixo e posterior do cérebro, para que lá seja produzida a melatonina. Horas depois que o estímulo se inicia a melatonina progressivamente induz a um estado de relaxamento e sonolência. Entendemos aí por que à noite devemos diminuir os estímulos luminosos de TVs, computadores, celulares e luzes domésticas, pois isso pode prejudicar a produção de melatonina e gerar quadros de insônia. Existem situações específicas de pessoas que sofrem ruptura do ritmo normal de sono, como visto em trabalhadores noturnos, pessoas que viajam entre diferentes fusos horários, portadores de doenças neuropsiquiátricas entre outros, que podem se beneficiar do uso de melatonina como medicamento. No Brasil não existe melatonina a venda em drogarias convencionais, somente por meio de farmácias de manipulação ou por importação. Entretanto, por aqui estão disponíveis medicamentos que atuam nos receptores celulares de melatonina de forma semelhante ao hormônio original, como a ramelteona e a agomelatina. E sempre é válido reforçar, jamais se automedique, pois, todo medicamento pode causar efeitos colaterais, graves inclusive. Consulte sempre o seu médico.
Exercícios físicos em jejum: prós e contras

Realizar atividades físicas em jejum vem ganhando cada vez mais adeptos. Seus defensores argumentam que essa é uma forma de turbinar a queima de gordura naqueles que desejam perder peso. A base fisiológica para isso é que durante o jejum os estoques de açúcar acumulados no fígado e músculo, chamado de glicogênio, estão muito baixos. Desta forma, assim que o indivíduo começa a se exercitar o organismo já passa a consumir diretamente as reservas de gordura. De fato, um estudo de revisão sistemática publicado no British Journal of Nutrition em 2016 mostrou que durante o treino em jejum houve um maior consumo (oxidação) de gorduras, porém isso não se traduziu em maior perda de peso, que foi semelhante aos que se alimentaram antes do treino. Para que haja a quebra de gordura em jejum, dois hormônios entram em ação, o glucagon e o cortisol. Esse último não somente estimula o consumo de gordura, mas também de proteínas como fonte de energia. Resultado: treinar em jejum pode levar a perda de massa muscular. Além disso, nem todas as pessoas irão tolerar treinar em jejum, muitos poderão sentir fraqueza, tontura, sintomas de hipoglicemia e pode haver piora da imunidade com infecções de repetição. Quem não está acostumado a treinar em jejum deve ir com calma. Em resumo, esse ainda é um tema em aberto que necessita de mais estudos para uma melhor conclusão. É possível que para aqueles que desejam perder peso haja algum benefício, mas certamente para aqueles que querem melhorar a performance e ganhar massa muscular, treinar em jejum não é uma boa estratégia.
Os perigos do excesso da vitamina D

É bem provável que você já ouviu falar dos inúmeros benefícios da vitamina D, alguns cientificamente reconhecidos e outros que carecem de comprovação. O principal papel da vitamina D está em auxiliar na absorção de cálcio através do intestino. Se o nível de vitamina D estiver baixo, o cálcio da alimentação e de medicamentos terá dificuldade em ser absorvido e isso poderá levar a perda progressiva de massa óssea e osteoporose. Outros efeitos especulados da vitamina D envolvem aumento de força muscular, melhora de transtornos de humor, ações anti-inflamatórias e imunomoduladoras, que em tese poderiam reduzir o risco de doenças autoimunes, câncer e infecções graves. Justamente aí está o perigo. Muitos pacientes buscam tratamentos alternativos para inúmeras doenças, inclusive COVID-19, baseados em superdosagens de vitamina D, que podem ser aplicadas em clínicas de credibilidade duvidosa por meio de injeções e que recomendam níveis no sangue muito mais altos do que o proposto pelas principais sociedades médicas. O excesso de vitamina D ocasiona um aumento exagerado de cálcio no sangue que, por sua vez, acaba por ser eliminado pelos rins, o que leva a um aumento de diurese, desidratação, formação de cálculos renais e sintomas como náuseas, vômitos e fraqueza muscular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, os níveis plasmáticos de vitamina D devem estar entre 20 ng/dl e 60 ng/dl na população geral e entre 30 ng/dl e 60 ng/dl em portadores de osteoporose e osteopenia e grupos de risco para perda de massa óssea, como idosos, gestantes, lactantes, portadores de raquitismo e osteomalácia, má absorção intestinal (ex: pós cirurgia bariátrica), doença renal crônica, entre outros. Lembrando que a principal forma de se adquirir vitamina D é por meio da exposição solar frequente e através de alimentos como peixes gordurosos e gema de ovo. Suplementos orais podem ser utilizados e muito raramente será necessário o uso de formulações injetáveis. Fiquem espertos!
Saiba mais sobre o pré-diabetes

Pré-diabetes, como o próprio nome sugere, é um estágio clínico que antecede o diabetes, em que os valores glicêmicos estão elevados mas ainda não atingiram os níveis de diabetes. Para ser classificado como pré-diabetes é necessário ao menos um dos critérios a seguir: ???????? Glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl ???????? Glicemia após teste de sobrecarga oral com 75g de glicose entre 140 e 199 mg/dl ???????? Hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%Portadores de pré-diabetes estão sob maior risco de se tornarem diabéticos. Cerca de 25% deles irão evoluir para o diabetes em até 5 anos Alguns indivíduos, entretanto, podem ter um risco ainda maior de desenvolver diabetes, como aqueles com sobrepeso ou obesidade, mulheres com síndrome dos ovários policísticos, portadores de hemoglobina glicada maior ou igual a 6,0% e aqueles que possuem tanto a glicemia de jejum alterada quanto intolerância à glicose após sobrecarga oral de glicose. Importante destacar que já no pré-diabetes podem começar a surgir as primeiras complicações do diabetes, principalmente em pequenos vasos como os das retinas, terminações nervosas e rins. O pré-diabetes é uma situação potencialmente reversível e muitos pacientes irão conseguir superar ou ao menos estabilizar esta condição através de mudanças de estilo de vida, reduzindo açúcares, álcool e outros carboidratos simples, realizando atividades físicas regulares e subsequente diminuição de gordura abdominal, melhorando qualidade de sono, entre outros. Já naquele grupo de pré-diabéticos de maior risco que citamos acima, o uso de medicamentos como a metformina, a pioglitazona, a liraglutida, entre outros, deve ser considerado. Pré-diabetes deve ser levado tão a sério quanto o próprio diabetes, é onde as chances de virar o jogo para melhor são maiores. Consulte um especialista.
COVID-19 e o risco de trombose

Para você que está com receio de tomar a vacina contra COVID-19 pelo possível risco de formação de coágulos e trombose, observe a figura fornecida pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) Nela podemos ver que o risco de apresentar este efeito adverso é extremamente baixo, menor do que muitos efeitos colaterais graves visto em medicamentos comumente utilizados, como antibióticos, antinflamatórios, anticoncepcionais orais etc Mais importante: compare com o risco de trombose caso se infecte pelo COVID-19, que é muito maior Para ficar mais ilustrativo, o que você prefere? Viajar de avião ou correr de moto em uma via movimentada e sem capacete? Em medicina não existe risco zero, tudo é relativo, neste caso não deveria haver dúvidas sobre o que escolher. Esperar pela vacina ideal é se manter vulnerável ao COVID-19 #vacinasalvavidas
Sedentarismo aumenta o risco de infecção grave por COVID-19

Quando pensamos em fatores de risco para infecção grave por COVID-19 logo lembramos de idade avançada, obesidade, diabetes e portadores de doenças cardiovasculares.Porém, independente desses fatores, um outro foi apontado em estudo recentemente publicado no British Medical Journal: o sedentarismo. De acordo com esse estudo, pessoas totalmente sedentárias, consideradas como aquelas que faziam menos de 10 minutos de exercícios semanais, tinham uma chance 2,26 vezes maior de serem internadas em UTI e 2,49 vezes maior de morrerem por COVID-19 se comparadas ao grupo de pessoas fisicamente ativas, que são aquelas que faziam no mínimo 2 horas e meia de atividades físicas por semana. E aí nos deparamos com o seguinte dilema, a própria pandemia gerou uma situação de confinamento que limitou a prática de atividades físicas. Academias e parques fechados ou com limite de pessoas, saídas para ir ao trabalho substituídos pelo home office e até o receio de fazer uma simples caminhada ao ar livre e se contaminar contribuíram para que as pessoas se tornassem ainda mais sedentárias. E o que fazer diante dessa situação? A solução é adaptar-se. Quem não tem o privilégio de ter uma academia exclusiva terá que transformar a sala de casa em um espaço fitness. Academias e Personal Trainers também tiveram que se reinventar e oferecem hoje aulas online de exercícios físicos possíveis de serem feitos em casa e sem muitos equipamentos. Programas como “Queima Diária” e “Work It”, por exemplo, vieram para ajudar nesse momento. Para aqueles que tem possibilidades, vale a pena comprar ou mesmo alugar uma esteira, um elíptico, uma bicicleta ergométrica ou outros aparelhos. Por fim, caminhar ou pedalar fora de casa também não é algo fora de cogitação. Deve-se escolher um local calmo, sem aglomerações, procurar manter o distanciamento, utilizar a todo instante máscara e medidas de higiene pessoal. Se você teve uma ideia diferente do que fazer de atividades físicas durante a pandemia deixe aí nos comentários.
10 sinais e sintomas de que a glicose está alta no sangue

Em seus estágios iniciais o diabetes costuma ser silencioso, sendo necessário o seu controle por meio de exames de sangue e o monitoramento através de glicosímetros, ainda assim é importante estarmos alertas aos seguintes sinais e sintomas: 1 – Diurese e sede excessivas: o organismo elimina o excesso de açúcar do sangue através da urina. Mais açúcar, mais diurese e maior a necessidade de beber água para repor os fluidos perdidos; 2 – Cansaço e fraqueza: no diabetes a glicose encontra dificuldade em entrar nas células, reduzindo dessa forma o seu fornecimento de energia;3 – Alterações visuais: surgem de várias maneiras, desde turvamento visual, variação do grau dos óculos, visão dupla, manchas no campo de visão, entre outros; 4 – Infecções de repetição: o excesso de açúcar é tóxico para as células de defesa do organismo e aumenta o risco de infecções urinárias, respiratórias, candidíase genital etc;5 – Inchaço nas extremidades: para diminuir a glicose do sangue pela urina, ocorre uma sobrecarga dos rins que, com o passar dos anos, perdem gradualmente sua função e capacidade de eliminar o excesso de líquidos; 6- Formigamento e perda de sensibilidade dos pés: o diabetes também é tóxico para os delicados nervos responsáveis pela sensibilidade, mais notada nos pés no início da doença; 7 – Impotência sexual em homens: pela dificuldade de circulação de sangue para o pênis e diminuição da sensibilidade nervosa do órgão que leva à excitação; 8 – Perda de peso não intencional: a eliminação excessiva de glicose pelos rins leva a perda de calorias que deveriam ser fornecidas às células. Perder peso, nesse caso, não é um bom sinal; 9 – Má digestão e alterações do hábito intestinal: como disse, o diabetes é tóxico para os nervos, inclusive aqueles responsáveis pelos movimentos do estômago e intestino; 10 – Cicatrização lenta: cortes e ferimentos podem demorar mais tempo do que o normal para cicatrizarem pois o diabetes obstrui os vasos que levam plaquetas e fatores de coagulação para o local da lesão.
Como o estresse afeta o Diabetes

Existe diabetes de causa emocional? Essa é uma pergunta comum em consultório visto que muitos pacientes já associaram o surgimento ou descontrole do diabetes a um episódio de estresse, como perda do emprego, brigas, doença na família etc. Fora o diabetes tipo 1, 2, algumas formas genéticas mais raras, pós doenças no pâncreas etc., não existe um diabetes emocional, mas o estresse pode vir a descompensar ou tornar aparente um diabetes ainda latente. Durante uma situação de estresse ocorre uma série de alterações neuro-hormonais, com aumento de substâncias como adrenalina, cortisol e glucagon, que atuam liberando as reservas de glicose no sangue. O organismo “entende” que uma situação de estresse pode ser perigosa, como ao tentar fugir de um incêndio ou lutar contra um agressor, e aí é importante dispor do máximo de energia vinda da glicose. Porém, em muitos casos, essa resposta é exagerada e se torna um problema principalmente em diabéticos. Como o diabetes leva a uma série de doenças como infarto, AVC, cegueira, insuficiência renal, além de poder agravar os casos de COVID-19, é essencial além da dieta e do uso correto das medicações, saber manejar situações de estresse para que isso não se torne um problema ainda maior: – Tenha uma rotina de horários de trabalho, lazer, afazeres domésticos etc. A desorganização da agenda leva a uma sensação permanente de estresse; – Pratique atividades físicas, além da queima calórica o exercício tem potencial de diminuir os níveis de estresse; – Evite o excesso de informações pela TV e Internet, principalmente nesses tempos de pandemia. Desconecte-se em alguns momentos da semana; – Procure meditar pelo menos de 10 a 15 minutos por dia; – Saiba ser mais seletivo com o que realmente vale a pena se preocupar; – Tenha uma atitude positiva com a vida. Alimente seu lado espiritual; – Respeite os horários e tenha qualidade de sono; – Conte com o apoio de familiares, amigos, do seu médico e psicólogo nos momentos mais difíceis.
Obesidade: para diferentes formas de ganho de peso, diferentes tratamentos

Qual o melhor tratamento para perda de peso? Infelizmente não existe uma receita que sirva para todos, cada caso é um caso. Uma determinada medicação pode funcionar muito bem em um paciente e em um outro não ser efetiva. Se por um lado é difícil individualizar o tratamento, por outro é possível estabelecermos alguns padrões de ganho de peso que podem nos orientar a tomar uma melhor conduta do que apenas “chutarmos” qual medicação escolher. Dessa forma, um estudo publicado nesse mês na revista médica Obesity tentou estabelecer 4 diferentes padrões ou fenótipos para ganho de peso. Cada um recebeu uma diferente linha de tratamento e eles foram comparados com a terapêutica não baseada em qualquer protocolo. Foram assim divididos: 1- Fome Cerebral: indivíduos que fazem grandes refeições, também chamada de hiperfagia. Receberam combinação de Fentermina e Topiramato;2- Fome gastrointestinal: tem dificuldade de se manter saciados após uma refeição e poucas horas depois precisam comer novamente. Receberam a medicação Liraglutida;3- Fome emocional ou hedônica: caracterizada por humor negativo e necessidade de se recompensar com alimentos. Receberam combinação de Bupropiona e Naltrexone;4- Queimadores lentos: pacientes com baixo gasto energético em repouso, reduzido ritmo de atividade física e baixa massa muscular. Receberam Fentermina e intensificaram treino muscular de resistência. Em comparação ao tratamento não padronizado, a perda de peso foi 75% maior naqueles que seguiram esse protocolo. A perda de peso média no grupo padronizado foi de 16% em 1 ano contra 9% no grupo não padronizado. Importante destacar que 27% dos pacientes tinham mais de um fenótipo de ganho de peso e 15% não se encaixavam em qualquer um desses, o que mostra que mais estudos e com diferentes combinações de tratamento ainda são necessários. Além disso, não devemos utilizar esse protocolo como verdade absoluta e sair se automedicando, seria simplista demais pensar dessa forma. Consulte sempre um especialista.
COVID-19 e obesidade: nunca foi tão importante perder peso como agora!

Se você quer fazer algo que aumente suas chances de não contrair uma forma grave de COVID-19, então perca peso se estiver acima do recomendável. Perder peso sempre foi um desafio, mas raramente encarado como urgente, pois as doenças causadas pelo excesso de peso não surgem de uma hora para outra. Leva um tempo para que um indivíduo obeso se torne diabético, desenvolva doença cardiovascular ou algum tipo de câncer. Mas agora diante da pandemia por COVID-19, o cenário mudou radicalmente. Quem tem sobrepeso ou obesidade deveria colocar isso como prioridade. Em outro artigo que publiquei no ano passado mencionei a associação entre estar acima do peso e o maior risco para agravamento por COVID-19, mas desta vez, diante de novos estudos e da explosão de casos que está levando o sistema de saúde ao colapso, serei mais enfático. Dados americanos publicados na Morbidity and Mortality Weekly Report neste mês mostraram que 7% dos pacientes com obesidade grau I (índice de massa corpórea – ou IMC – entre 30 e 34,9 kg/m²) que contraíram COVID-19 necessitaram de internação hospitalar. Esse número subiu para 33% de internações entre os obesos mais severos (IMC maior que 45 kg/m²). Dos que foram internados, a mortalidade naqueles com obesidade grau I foi de 8% e chegou a incríveis 61% no grupo de obesidade mais grave! E estamos falando dos EUA, país que não sofreu o colapso no sistema de saúde que vivemos hoje. É de se esperar que alguém acima do peso que necessite de atendimento hospitalar e demore para ser internado possa ter suas chances de sobreviver ainda mais reduzidas. Para prevenção, tão importante quanto usar máscaras, higienizar as mãos e manter o distanciamento social e muito mais relevante do que medicamentos de eficácia duvidosa, eliminar o excesso de peso é fundamental. Faço aqui um apelo a todos para que levem esse assunto muito a sério! Qualquer perda de peso, por menor que seja, deve ser valorizada e pode ser a diferença na hora de salvar uma vida. Procure um especialista.
