Quais alimentos provocam acne em adultos?

Acne é a doença dermatológica mais comum na adolescência, mas que pode persistir ou mesmo ressurgir durante a vida adulta. É mais comum em mulheres e pode trazer verdadeiros transtornos à autoestima da pessoa. Algumas desordens hormonais como a Síndrome dos Ovários Policísticos e o uso de esteroides anabolizantes contendo testosterona são causas bastante conhecidas de acnes em adultos.  Já certos alimentos, como o chocolate, são antigos suspeitos de serem causadores de acnes, mas os trabalhos científicos sempre tiveram dificuldade de comprovar essa ligação. Entretanto, um grande estudo populacional conduzido na França (NutriNet-Santé) publicado no mês passado na revista médica JAMA mostrou que sim, alguns alimentos podem estar mais relacionados ao aumento de acnes em adultos, entre eles: Alimentos gordurosos e açucarados como bolos, pudins, tortas, mousses, inclusive o chocolate, entre outros; Bebidas açucaradas como refrigerantes e sucos artificiais; Leite, principalmente achocolatado (de novo!). Outros alimentos, por outro lado, não mostraram relação com surgimento de acnes, tais como verduras, frutas, carnes magras, carboidratos integrais e chocolates mais amargos. A hipótese é a de que os alimentos açucarados e gordurosos induzem ao aumento de hormônios como o IGF-1, a insulina e a testosterona, que por sua vez estimulam a produção de sebo e proliferação de células inflamatórias na pele, que combinadas levarão a formação das famosas pústulas características das acnes. Consulte sempre um especialista em dermatologia, endocrinologia e um nutricionista para checar os possíveis causadores da acne na vida adulta e orientar uma dieta mais equilibrada.

Jantar tarde pode aumentar o risco de obesidade e diabetes

Há tempos suspeitamos que jantar tarde da noite poderia levar ao ganho de peso e o surgimento do diabetes, mas faltavam evidências científicas que comprovassem essa teoria. Entretanto, um novo e interessante estudo publicado no conceituado Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism (JCEM), publicado esse mês, veio para reforçar a teoria de que comer demais tarde da noite pode não ser uma boa ideia. O estudo comparou parâmetros como oxidação de ácidos graxos (popularmente chamado de queima de gordura) e valores de glicose pós alimentação entre um grupo que jantava às 18h e realizava uma pequena ceia às 22h e outro que fazia um pequeno lanche às 18h e jantava às 22 horas. Embora seja ainda um estudo preliminar e com um número pequeno de pessoas (10 pacientes em cada grupo), os resultados estão de acordo com o que imaginávamos. Aqueles que jantavam mais tarde apresentavam uma queda de 10% na taxa de oxidação de gordura e um pico de glicose pós alimentação 18% maior em comparação àqueles que jantavam mais cedo. Mais interessante ainda, esses efeitos negativos sobre o metabolismo eram ainda mais acentuados naqueles que jantavam tarde e iam dormir logo depois comparado aos que demoravam algumas horas para ir para cama. Talvez isso realmente se deve ao fato de o metabolismo desacelerar durante o sono e não dar conta daquelas calorias extras ingeridas pouco antes de deitar-se. Ainda é cedo para batermos o martelo de que jantar tarde e ir para cama logo depois é um fator de risco para obesidade e diabetes, um número maior de pessoas ainda deve ser estudado antes de concluirmos que isso é verdadeiro.  De qualquer forma, esse estudo vem ao encontro de outros trabalhos na área do cronometabolismo, que defendem que deveríamos comer melhor durante o dia e menos à noite, além de necessitarmos de tempo adequado de sono e regularidade nos horários de dormir e acordar. Dessa forma, nossas chances de mantermos o peso sob controle e evitarmos o diabetes seriam muito maiores.

Dexametasona contra COVID-19 salva vidas, mas há riscos.

Enfim, uma boa notícia na guerra contra o COVID-19. Recentemente um estudo britânico chamado Recovery (Randomised Evaluation of COVID-19 Therapy) que envolveu cerca de 11.500 pacientes, mostrou que o uso de dexametasona em pacientes graves que necessitaram de uso de oxigênio reduziu a mortalidade entre 20% a 35%, o que é um número considerado muito bom! A dexametasona é um medicamento da classe dos corticosteroides, que atuam como potentes anti-inflamatórios utilizados em várias situações clínicas. No caso da infecção por COVID-19, ele reduz a resposta inflamatória exagerada do sistema imunológico contra o vírus, que é o que acaba por destruir o tecido pulmonar e leva a formação de coágulos e obstrução da passagem de sangue pelo órgão. Essa é uma grande notícia, sem dúvida nenhuma, e ainda há a vantagem desse medicamento poder ser amplamente utilizado em UTIs, por ser barato e de fácil acesso. Porém, antes que alguém pense em ir agora a uma drogaria para comprar dexametasona sem receita, insisto: não façam isso!!! Como disse antes, esse medicamento só mostrou benefícios em pacientes críticos e cabe somente a equipe médica decidir qual paciente deverá tomar dexametasona. A automedicação pode trazer sérios riscos à saúde. Em primeiro lugar, a dexametasona também é um imunossupressor e seu uso em quadros mais leves pode ter o efeito contrário, deixar o indivíduo mais vulnerável a quadros infecciosos mais graves. A ideia no seu uso é reduzir a reação inflamatória exagerada grave e não diminuir a imunidade por completo. Além disso, os corticosteroides podem aumentar a glicemia nos diabéticos, piorar a hipertensão arterial e levar ao ganho de peso, que também são fatores de risco para agravamento da infecção por COVID-19. Portanto, saber que temos um medicamento que pode nos salvar no limite entre a vida e a morte nos traz alívio, mas seu uso deve ser bastante criterioso, somente em pacientes internados graves e jamais em uso domiciliar, muito menos utilizado por conta própria.

Terapia de reposição hormonal na menopausa: Prós e Contras

Antes de iniciarmos, aqui vão algumas definições: a menopausa é a última menstruação fisiológica da mulher e o climatério é o período que tem início a partir da queda dos níveis de hormônios femininos que levam a menopausa e segue até o fim da vida. Portanto, a menopausa faz parte do climatério. Esse é um assunto polêmico, principalmente com relação aos riscos dessa reposição. Porém, grande parte das mulheres poderão se beneficiar de seu uso. A principal indicação de reposição hormonal com a combinação de estrógenos e progesterona (esse último é dispensado naquelas que não tem mais o útero e ovários) ou medicações com ação similar, como a tibolona, é para o controle das ondas de calor no climatério. Muitas mulheres sofrem demais com esse sintoma, mesmo com tratamentos alternativos, como fitoterápicos e antidepressivos. Nessa situação, a reposição hormonal deve ser considerada. Além disso, existem outros benefícios: prevenção de osteoporose, melhora da incontinência urinária, libido e lubrificação vaginal, melhora de transtornos de humor e potencial prevenção de demência e doenças cardiovasculares. Por outro lado, há riscos a serem cogitados. O principal é o de câncer de mama, que embora seja pequeno (cerca de 5 casos para cada 1000 mulheres, mais evidente na associação de estrógeno com progesterona sintética), não deve ser ignorado. Isso deve ser informado a toda mulher, que deve ser submetida a mamografias e ultrassom de mamas antes de iniciar e ao longo de todo o tratamento. Nódulos e espessamentos mamários e antecedentes familiares importantes de câncer de mama devem ser pesados no momento da prescrição. Outros riscos são: câncer de endométrio e ovário (nas mulheres com útero e ovários e que usam estrógeno sem progesterona), tromboembolismo (checar tabagismo e presença de varizes) e acidente vascular cerebral se o início for após 5 anos do início da menopausa. Consulte seu endocrinologista e seu ginecologista antes de iniciar a terapia de reposição hormonal na menopausa!

Quando o glúten realmente faz mal à saúde?

Há alguns anos passou a fazer parte das “dietas da moda” a retirada do glúten da dieta com o objetivo principal de perda de peso. Os defensores desse método alegam que o glúten possui propriedades inflamatórias que poderiam alterar a flora intestinal, aumentar a absorção de calorias e o apetite. Para quem não sabe, o glúten é a principal proteína do trigo e é encontrado também na cevada, no centeio e no malte. Estudos mostraram que essa hipótese não tem fundamento e muitos dos que perderam peso retirando o glúten, na realidade, o fizeram devido a redução no consumo de carboidratos derivados do trigo e substituição por alimentos de baixa caloria, como legumes. Entretanto, existem duas situações em que o consumo de glúten pode ser prejudicial a saúde e sua retirada deve ser completa e um último caso, cuja real existência ainda é bastante polêmica. 1- Doença Celíaca: é uma doença autoimune, em que o simples contato da mucosa do intestino com o glúten desencadeia uma reação exagerada do sistema imune. O resultado é uma grave inflamação e destruição da mucosa intestinal com perda da capacidade de absorver nutrientes. Os sintomas são graves e diversos como dor e distensão abdominal, diarreia, vômitos e desnutrição. A presença dos anticorpos antitransglutaminase e antiendomísio IgA, somados a biópsia do duodeno confirmam o diagnóstico. 2- Alergia ao trigo: nessa situação os sintomas gastrintestinais são mais leves, mas o que predomina é o quadro alérgico como urticária, rinite, asma e até mesmo choque anafilático. Essa reação ocorre contra diversas proteínas do trigo, não apenas ao glúten. 3- Sensibilidade ao glúten não celíaca: essa é uma entidade controversa, pois não há exames que possam confirmar esse diagnóstico, porém há inúmeros relatos de pessoas que se sentem mal ao consumir pães e massas. Predominam os sintomas gastrintestinais que são mais leves do que na Doença Celíaca e não impedem a pessoa de consumir alimentos contendo glúten, mas a obrigam a reduzir sua quantidade.

Carboidratos: refinados X integrais. Entenda as diferenças

Carboidratos ganharam a fama de vilões da dieta, principalmente daqueles que desejam perder peso. Muitos dos que estão tentando emagrecer certamente dirão que cortaram os carboidratos como medida inicial.⠀Mas será que é correto ou mesmo justo culpar todos os carboidratos pela epidemia de obesidade? Será que são todos iguais ou, como diria o povo, farinha do mesmo saco?⠀A resposta é não. Talvez a diferença mais importante entre os carboidratos é se eles são refinados ou integrais. Isso é essencial não somente para perder peso como para ter boa saúde.⠀Carboidratos refinados são moléculas de açúcares que passaram por um processo industrial de refinamento, ou seja, eles foram separados das fibras alimentares quase por completo com o intuito de se obter uma massa mais pura de açúcar.⠀Por conta disso, sua digestão e absorção ocorrem de maneira muito mais rápida e daí temos dois problemas: o primeiro é que a saciedade dura pouco tempo, além disso os refinados induzem a um maior pico de insulina, hormônio responsável por controlar a glicose no sangue.⠀Esse aumento exagerado de insulina, por sua vez, pode levar a uma rápida queda dos níveis de glicose no sangue poucas horas depois da refeição e aumentar a sensação de fome, gerando um círculo vicioso de comer cada vez mais para aplacar essa fome que só aumenta.⠀Já os carboidratos integrais mantêm boa parte de suas características naturais. Por serem mais ricos em fibras promovem mais saciedade e tem uma digestão e absorção mais lenta, o que reduz o pico de insulina e a consequente queda abrupta dos níveis de glicose no sangue.⠀Resultado: são melhores para quem quer perder peso ou controlar doenças como o diabetes.⠀Além disso, os integrais conservam a maior parte de suas boas propriedades nutricionais. Os grãos, cereais e farinhas integrais, além das frutas, são ricos em fibras, vitaminas e minerais que auxiliam no bom funcionamento do metabolismo e de todo o organismo.

Tireóide e Coronavirus: Posicionamento Oficial

Recentemente a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) publicou um posicionamento oficial sobre os cuidados que os portadores de doenças da tireóide devem ter diante da pandemia por COVID-19, visto ser esse um questionamento bastante comum entre os pacientes. Assim podemos afirmar:⠀???? Portadores de hipotireoidismo e hipertireoidismo NÃO fazem parte do grupo de risco para agravamento do quadro de COVID-19, mesmo que a causa da doença seja auto-imune (Tireoidite de Hashimoto ou Doença de Graves);⠀???? As medidas restritivas que seus portadores devem seguir são as mesmas da população geral e orientadas pelo Ministério da Saúde, ressaltando-se a necessidade de se manter um bom controle da doença;⠀???? Se necessário procure o endocrinologista para possíveis mudanças no tratamento baseado em alterações clínicas e laboratoriais, não havendo necessidade de ajustes de dose da medicação no caso de o paciente contrair infecção por COVID-19;⠀???? Nos casos de maior gravidade por COVID-19 em que haja a necessidade de internação, é importante que a equipe médica responsável seja informada que o paciente é portador de doença da tireóide e qual a medicação e dose vem utilizando;⠀???? A grande maioria dos portadores de Câncer de Tireóide, que foram submetidos a cirurgia seguida ou não por tratamento com iodo radioativo, não fazem parte do grupo de risco para agravamento da infecção por COVID-19 e não necessitam de cuidados adicionais em seu tratamento além do habitual;⠀???? Portadores de Câncer de Tireóide avançado, com metástases para órgãos, especialmente para pulmões e aqueles em uso específico de medicamentos para o câncer (Sorafenibe, Levantinibe e Vandetanibe) pertencem ao grupo de maior gravidade e devem manter-se em isolamento social, seguir as medidas de higiene indicadas pelas autoridades de saúde e manterem contato com seu médico.⠀Que todos possam manter a calma e serenidade nesse momento. Juntos iremos superar esse momento difícil de nossas vidas!

Esteatose Hepática: o que você precisa saber

Você sabe o que é esteatose hepática? Talvez você já tenha ouvido falar, mas não tenha entendido o que significa. Esteatose hepática é popularmente por gordura no fígado. Ela pode ser vista em várias situações como no alcoolismo, em portadores de HIV, usuários de medicamentos como anticoncepcionais, entre outros. Porém nosso foco será na esteatose hepática naqueles com obesidade e diabetes, de longe o grupo mais acometido pelo acúmulo de gordura no fígado. Houve um tempo em que a esteatose hepática não recebia a devida atenção, mas nos últimos anos o interesse por essa doença aumentou por conta de seu risco em potencial, ainda muito subestimado. Cerca de 76% dos obesos e 50% dos diabéticos apresentam esteatose hepática, detectados por exame de imagem, mas o percentual é ainda maior se a avaliação for por biópsia de fígado. Desses, de 18% a 37% apresentarão esteato-hepatite, que é o estágio seguinte da doença, em que a gordura acumulada no fígado provoca inflamação e morte de suas células. Alguns exames de sangue relativos ao fígado podem estar alterados, como TGO, TGP, Gama GT, bilirrubinas, ferritina, fatores de coagulação e albumina. Em certas situações estará indicada a biópsia para melhor diagnóstico e noção de gravidade da doença. Após anos de esteato-hepatite, cerca de 6% desses pacientes irão evoluir com cirrose e insuficiência hepática, que é o estágio final da doença, em que uma grande parte do fígado é destruída. Nos casos de cirrose mais grave, o indivíduo apresentará quadro de icterícia (pele, olhos e mucosas amarelas), hemorragias intestinais, inchaço pelo corpo, alterações neurológicas, câncer de fígado e óbito. Nesse estágio, somente o transplante de fígado poderá salvar a vida do doente. Nos países ocidentais, a esteatose hepática é a doença mais comum do fígado e a terceira principal causa de cirrose e transplante de fígado, perdendo apenas para o alcoolismo e hepatites virais. E o que devemos fazer para diminuir o risco da esteatose hepática? O fundamental é PERDER PESO! Não basta apenas reduzir o teor de gorduras na dieta, é necessária uma dieta balanceada, rica em fibras, com predomínio de gordura mono e poli-insaturadas, carboidratos complexos, evitar o álcool, bebidas açucaradas, alimentos processados etc. Em alguns casos o uso de medicamentos específicos tanto para perda de peso e controle do diabetes como para diminuir a inflamação sobre o fígado será necessária. Se você descobriu ter esteatose hepática não perca tempo e procure um especialista!

OBESIDADE: Por que faz parte do grupo de risco para COVID-19?

Sempre incentivo os pacientes a tratarem a obesidade como uma doença séria, mais do que o simples emagrecer pela estética. Quem não sabe que estar acima do peso aumenta as chances de desenvolver diabetes, hipertensão, com subsequente aumento no risco de doenças cardiovasculares, aumento de gordura no fígado e cirrose, doenças ortopédicas, cânceres, entre tantos outros?⠀Não bastasse tudo isso, agora surge o COVID-19, que nos indivíduos com obesidade pode evoluir de maneira mais grave.⠀Dados epidemiológicos recentes dos EUA afirmam que cerca de 25% das mortes por COVID-19 foram em pacientes obesos. Provavelmente é o principal fator de risco para óbito entre os mais jovens. Por que estar muito acima do peso pode ser fatal em uma infecção por COVID-19? ???? O excesso de gordura abdominal, região torácica e pescoço, leva a uma maior resistência a entrada e saída de ar dos pulmões e, quando esse órgão está infectado e inflamado, o doentepode rapidamente evoluir para um quadro de grave insuficiência respiratória. Infelizmente esses pacientes não costumam responder bem a ventilação mecânica⠀???? Apresentam maior risco de tromboembolismo pulmonar durante a infecção por COVID-19, que interrompe a passagem de sangue em parte dos pulmões;⠀???? Como dissemos no início, obesos costumam apresentar também hipertensão arterial e diabetes, que são doenças já reconhecidas pelo maior risco de piora da infecção;⠀???? As células adiposas produzem substâncias inflamatórias semelhantes as células do sistema imunológico, provocando uma reação exagerada do organismo contra a infecção pelo COVID- 19. Essa verdadeira “tempestade inflamatória” acaba por agredir violentamente o próprio corpo, resultando em danos gravíssimos aos pulmões e provavelmente também ao sistema nervoso, digestivo e cardiovascular.⠀Portanto, eu insisto a todos que necessitam perder peso: não percam o foco e a motivação na quarentena! Busquem ajuda, não desistam, pois isso pode fazer toda a diferença em sua vida!

O que é o método PronoKal para perda de peso?

O método ou dieta PronoKal surgiu na Espanha e hoje está presente em 17 países, incluindo Brasil. Faz parte de um grupo de dietas a base de proteína de muito baixa caloria (ou VLCD do inglês very low calorie diet, que compreende dietas com menos de 1000 kcal/dia). Nessa dieta são utilizados substitutos alimentares feitos com proteína de alto valor biológico em todas as refeições em um primeiro momento e retorno gradual de carboidratos e outros grupos alimentares após um determinado período de maior perda de peso. O método PronoKal é igual a outras dietas low carb conhecidas? Tal método não deve ser confundido com algumas dietas populares ricas em proteínas como Dukan e Atkins, em que simplesmente há a retirada completa e temporária de carboidratos e substituição por refeições ricas em proteínas animais como carnes, ovos e queijos, de maneira irrestrita e sem uma adequada compensação de outros nutrientes encontrados em frutas, legumes e outros carboidratos que deixarão de ser consumidos. Na dieta PronoKal o substituto alimentar é elaborado de forma a ter quantidades balanceadas de proteína animal e vegetal, o que o torna mais completo e saudável, além de ser obrigatório o consumo abundante de verduras e água. Há também um protocolo de reposição de vitaminas e minerais, evitando-se dessa maneira o desenvolvimento de carências nutricionais e suas complicações, muito comum em dietas de muito baixa caloria. E o que são exatamente esses substitutos alimentares proteinados? São preparações na sua maioria em pó que podem ser facilmente transformados em uma grande variedade de produtos como panquecas, pães, bolos, sucos, massas, mousses, etc, bastante semelhante ao alimento original, porém feito de proteínas de alto valor biológico e de baixa caloria. Essa é uma outra grande vantagem em comparação às dietas populares ricas em proteínas, que são monótonas pois praticamente só permitem o consumo de alimentos de origem animal, o que torna o método PronoKal de mais fácil adesão e manutenção. Como ocorre a perda de peso no método PronoKal? Como nas outras dietas low carb, a perda de peso ocorre por um processo chamado de cetose, em que a redução drástica no consumo de carboidratos promove uma queda intensa dos níveis de insulina no sangue. Essa diminuição da insulina é interpretada pelo organismo como um estado de jejum, o que ativará uma enzima chamada lipase, responsável pela liberação intensa das reservas de gordura, levando à perda de peso. Pelo fato das proteínas e fibras vegetais promoverem saciedade e o aumento dos níveis de cetona (fonte energética procedente da gordura liberada, a qual substitui os carboidratos) diminuir o apetite, praticamente não há aumento na sensação de fome ao longo das etapas da dieta, exceto nos 3 primeiros dias de adaptação fisiológica para o jejum de carboidratos. O método PronoKal é dividido em 2 fases que possuem subfases: a primeira é a fase ativa, onde somente é permitido o consumo dos substitutos alimentares, alguns tipos de vegetais e de carnes magras, além de líquidos sem açúcar e é esperado que a pessoa elimine 80% do peso-meta em um ritmo de 1,5 kg a 3 kg por semana, geralmente essa fase demora de 1 a 2 meses para ser concluída. A segunda fase é a de readaptação fisiológica, onde aos poucos os outros grupos alimentares são reintroduzidos no lugar dos substitutos de proteína, perde-se nessa etapa os 20% de peso restantes e a duração média é de 2 a 3 meses. Qual a perda de peso esperada e há contra-indicações? Com relação a eficácia, os resultados observados no estudo Ceto PNK publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabology em junho de 2016 foram bastante animadores, mostrando uma perda média de 20,2 (+- 4,5) kg após 4 meses de dieta e desses, cerca de 17 kg correspondem à perda de massa gorda, proporcionalmente muito maior do que a perda de massa magra, considerada discreta nesse caso. Importante destacar que a diminuição de peso ocorreu sem o uso de medicamentos para obesidade. Apesar do método ser realmente eficaz e seguro para perda de peso, existem alguns cuidados necessários para o sucesso do tratamento. O primeiro é que, enquanto o paciente está seguindo essa dieta, nenhum outro tipo de alimento além do prescrito deverá ser consumido, sob o risco de se interromper o processo de cetose. Caso isso ocorra haverá aumento de apetite e parada da perda de peso, o que significa que não há possibilidades, por exemplo, de uma pausa na dieta para alguma guloseima do nosso dia-a-dia. É necessário muita disciplina! Outra exigência é a necessidade de se ingerir vários comprimidos de sódio, potássio, magnésio, cálcio, vitaminas e ômega 3 e 6 em diferentes horários do dia para suprir as deficiências desses elementos que estarão em falta na dieta. Muitos pacientes podem sentir algum desconforto gástrico ou náuseas pelo excesso de comprimidos, que podem ser aliviados com o uso de medicações sintomáticas. Caso a pessoa esqueça de tomar os suplementos regularmente, poderá apresentar sintomas como câimbras, fraqueza muscular, tonturas, etc. O método não é indicado para portadores de insuficiência renal, hepática, cardíaca, que estejam em tratamento de câncer, utilizando medicamentos imunossupressores ou para portadores de doenças psiquiátricas graves. Para finalizar, o método PronoKal, por conta de todos esses detalhes, somente poderá ser prescrito por médico habilitado no método e acompanhado por nutricionista igualmente capacitado. Portanto, sua venda não é livre ao público. Como em todas as dietas, não existe uma que sirva a todos, mas sem dúvida o método PronoKal pode ser uma opção interessante a ser considerada para muitas pessoas.